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Somente a Graça e somente a Deus a Glória

publicado em 27 de fevereiro de 2021 - Por Antônio Carlos de Almeida

A pandemia continua ceifando vidas. Querendo ou não, estamos sendo desafiados a pensar no sentido da morte e da vida. Do ponto de vista das ciências humanas, a morte é negação de tudo que amamos em nossa vida terrena. Do ponto de vista da teologia, mais ainda da fé, a morte é inauguração da dimensão mais profunda da vida e do verdadeiro sentido da morte.

Numa semana em que a covid ceifou a vida de vários bragantinos, duas mensagens alusivas ao passamento de entes queridos, fundamentadas na fé, chamaram a atenção. A filha Cibelly do pastor Paulo Vieira, expressou assim o entendimento da morte de seu pai: “Nossas orações não foram em vão. Nosso pai agora está curado no seio de Abraão. Ele descansou, preferiu escolher a eternidade, lugar que ele almejava e se preparava para um dia conhecer. O pai escolheu a Eternidade, está descansando. Deus abençoe grandemente cada um de vocês. Glorifico a Deus pela vida de todos vocês. Precisamos muito de oração agora pela nossa família e principalmente pela nossa mãe”.

Nenhum lamento, nenhuma desolação, apenas reconhecimento das dificuldades inerentes à despedida, explicitação do papel da oração na vida do cristão, revelação da cura definitiva e do descanso celestial, bênçãos e glória a Deus. E a escolha da eternidade, lugar que ele almejava e se preparava para um dia conhecer. Precioso testemunho num mundo terreno de tantas distrações e futilidades, consideradas e buscadas como bens superiores e definitivos.

Chegou-me hoje a notícia do passamento da professora Luciana Hansen, que atualmente exercia o cargo de diretora numa escola estadual de Itatiba. Uma foto redonda a apresentava com um belo sorriso. Um conjunto de palavras góticas servia de moldura para a foto: Soli Deo Gloria, Sola Fide, Sola Scriptura, Solus Crhistus e Sola Gracia.

Sola, do latim, significa só ou somente. São conhecidos teologicamente como os cinco somente (s) da reforma proposta por Martin Lutero, em 1517. Constituem um forte convite de volta às origens bíblicas, para que seja possível uma vida renovada, plena de sentido, não obstante percalços típicos da história humana sobre a terra.

Soli Deo Gloria – Somente a Deus a Glória. A atual pandemia, de tantas restrições, terrivelmente ameaçadora, está nos oferecendo uma oportunidade de cultuar menos ao dinheiro, ao poder e ao prazer, todos perecíveis, colocando Deus, princípio e fim, no centro de nossas vidas.

Sola Fide – Somente a fé. Conforme ensinamento do Apóstolo Paulo aos Hebreus, “fé é a certeza de coisas que se esperam e a convicção de fatos que se não veem” (Hebreus 11:1). Atualmente nossos olhos estão como que embaçados pelos riscos, ameaças, sofrimento e morte que nos circundam. É tempo oportuno para aumentar nossa fé no Senhor da vida e da luz.

Sola Scriptura – Somente a Escritura (Bíblia). Dedicamos grande parte do nosso tempo aos atuais meios de comunicação, quando poderíamos dedicar um pouco mais de atenção aos ensinamentos bíblicos. Não há notícias de que cristãos que fizeram das Escrituras o seu manual de caminhada terrena rumo ao Céu tenham se arrependido.
Solus Crhistus – Somente Cristo. Santo Agostinho explica-nos a figura do Cristo Total: “Então Jesus Cristo, a Cabeça, está no tempo; mas também está — porque ressuscitado — fora do tempo; está conosco/em nós, mas também acima e além de nós”. Nossa caminhada, inclusive durante tempestades, é guiada, orientada e protegida.

A Ele podemos recorrer quando nossas forças parecem insuficientes ou quando a desorientação nos confunde.
Sola Gratia – Somente a Graça (de Deus) – O Senhor te abençoe e te guarde. O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti. O Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz (Números 6:24-26). Francisco de Assis assim abençoava, os franciscanos continuam fazendo, nós também podemos abençoar, fazendo com que mais gente sinta e acolha a Graça em nosso meio.