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Solo, Terra Viva: duas visões e uma conclusão

publicado em 17 de dezembro de 2019 - Por Ambiente em Pauta

É do solo, terra viva, que depende o futuro do Planeta Terra no qual vivem os humanos. É do solo, terra viva, que dependem os humanos para viver. Quem e como os humanos tratam o solo, sua Mãe Terra?

Ana Primavesi, engenheira agrícola nascida em Viena em 1920, doutora em ciências do solo, fez toda sua carreira no Brasil. Cientista mundialmente conhecida, escreve com todas as letras: tudo o que beneficia a terra, beneficia igualmente o meio ambiente.

A partir dessa simples constatação, que em várias obras confirma e comprova, conclui com naturalidade e a certeza da prática, que uma natureza bem tratada dará boas colheitas, e sem respeito e amor à natureza não devemos esperar fartura. Ana, uma agricultora pioneira, ativa e combativa, mostra passo a passo, em seus livros, como isso é possível.

Para saber mais: “Agricultura Sustentável, manual do produtor rural”, publicado em 1992, no qual adverte que é preciso mudar o enfoque e a tecnologia. “A tecnologia atual, puramente sintomática, se concentra na planta. Combate sintomas e evita tocar nas causas desses sintomas, que derivam do solo. Concentrando toda a atenção ao solo, a terra, as plantas das culturas automaticamente se beneficiarão. …

O trato do solo não é essencialmente químico-mecânico, mas biológico-físico”. É preciso buscar os equilíbrios naturais do solo destruídos pelas culturas intensivas, adverte. E não escapa de fazer um leve paralelo com a medicina moderna, baseada na farmacopeia e intervenção intensivas.

Ler também: “Manejo Ecológico do Solo”, “Manejo Ecológico de Pragas e Doenças” e “Ana Maria Primavesi: histórias de vida e agroecologia”, de Virginia Mendonça Knabben, publicado em 2016 Satish Kumar é um pensador holístico, pacifista, ex-monge, que nasceu na Índia, mas radicou-se na Inglaterra. Ali associou-se ao conhecido economista Schumacher, criador da escola de mesmo nome, voltada para práticas de desenvolvimento sustentável, que defende um modo de vida local, autossustentável, ecológico, espiritual, simples e não violento.

Satish esteve na Fazenda Serrinha de Bragança Paulista em 2017, onde autografou seu livro “Solo, Alma, Sociedade, uma nova trindade para nosso tempo”, que engloba a filosofia da escola. O solo vem em primeiro lugar, explica, porque representa a natureza e sustenta todo o sistema da vida. Tudo vem do solo e volta para o solo. Se cuidarmos do solo, o solo cuidará de todos nós, afirma. Dependemos da terra. Precisamos mudar o foco para sobreviver.

Quando o homem se separa da natureza – a natureza fica de fora – lá fora. “A luta contra a natureza é travada devido à convicção de que a função da natureza é ser combustível para o motor da economia. Mas a verdade é que a economia é uma subsidiária da ecologia. Se o capital natural for dilapidado, se o ambiente natural for destruído, a economia será eliminada”.

Satish propõe trocar o atual paradigma da fragmentação, dualismo, desconexão e divisão, base da ciência e economia moderna, por um novo paradigma baseado na integração, conexão, interdependência e relação, próxima dos ciclos da natureza, sem usos abusivos e desperdícios inúteis. O que importa mais, hoje? A escolha é nossa.

Contribuição de Teresa Otondo, integrante da Associação Bragança Mais e Coletivo Socioambiental