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Síndrome Pós-Covid ou Covid prolongada

publicado em 19 de fevereiro de 2021 - Por Antônio Carlos de Almeida

Dizer que ainda estamos longe de um dia a dia sem preocupação diante da possibilidade de contágio por coronavírus não é pessimismo. É prudência. Apesar da vacinação que chegou e que avança no atendimento de grupos com maior risco, ainda estamos um pouco longe do ponto em que a maioria da população estará protegida.

Embora eu não seja da área da saúde, ouso dizer que há um tema ligado à covid ainda pouco divulgado, que está recebendo vários nomes na literatura especializada: síndrome pós-covid, covid longa, covid persistente ou covid prolongada. Todos esses nomes relatam sintomas que atingem grande parte dos infectados depois que recebem alta hospitalar e, inclusive, aqueles que tiveram sintomas brandos durante a infecção, sem hospitalização.

É grande a relação desses sintomas que persistem: dor de cabeça, dificuldade de atenção, ansiedade, depressão, zumbido no ouvido, palpitação, insuficiência cardíaca, falta de ar, tosse, problemas digestivos, dor nas articulações, apneia do sono, depressão, perda de memória, cabelo, olfato, paladar e peso, entre outros.

Vários estudos, com a mesma intensidade do desenvolvimento das vacinas, estão sendo realizados para maior eficácia no tratamento desses sintomas. Segundo dados do Portal G1, um levantamento feito com 944 pacientes que tiveram alta após internação por Covid-19 em 2020 em Campinas (SP) mostra que 747 precisaram de acompanhamento em unidades de saúde por conta de complicações pós-Covid-19. O índice, ainda que preliminar, demonstrou a necessidade da Secretaria de Saúde estruturar uma rede de cuidados e monitoramento.

O médico responsável por esse levantamento, Augusto Cesar Lazarin, afirma que ainda não é possível definir por quanto tempo as complicações vão continuar no paciente, já que a pandemia ainda vai completar um ano, mas em alguns casos ela pode ser tornar uma sequela — algo que permanecerá com a pessoa ao longo da vida.

As atuais evidências dessa covid prolongada derrubam algumas crendices presentes em nosso meio. Não é verdadeiro que uma pessoa tendo sido infectada pelo coronavírus está definitivamente livre da mesma, podendo circular livremente por todos os ambientes que frequentava anteriormente.

É verdadeiro que a vacinação é um grande passo no enfrentamento sistêmico à pandemia, mas é falso que já estamos plenamente protegidos. Ainda serão necessários vários meses e mais de 200 milhões de picadas de agulhas, somadas a primeira e a segunda dose.

As atuais evidências dessa covid persistente nos demonstram que precisamos estar próximos, orientar e apoiar pessoas da família, da escola, do trabalho, da igreja e de outros ambientes que frequentamos para essa necessidade de apoio especializado na abordagem de sintomas remanescentes, antes de se tornarem sequelas permanentes. Várias especialidades da área da saúde podem contribuir para esse tratamento: médicos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, psicólogos, psiquiatras…

No âmbito profissional e dos negócios, na medida em que pessoas estejam diante de crise jamais vista, também poderá ser necessária alguma consultoria especializada. Não é fácil fazer de forma diferente aquilo que já se faz há anos. A superação de crises novas depende de estratégias adequadas, eficientes e eficazes.

Essa covid longa sugere alguns comportamentos novos para a convivência diária entre infectados, infectados e já curados, pessoas com sintomas ainda sem confirmação e pessoas saudáveis sem infecção. Ninguém de nós está acima do bem e do mal.

Já presenciei situações em que pessoas com alguns sintomas típicos foram discriminadas. Imagino que não seja fácil o retorno ao convívio social para pessoas que contraíram a doença e estão curadas. É incrível como numa sociedade de tanta informação ainda seja grande o número de pessoas que desafiam os riscos e colocam em perigo inclusive pessoas da própria família, frequentando aglomerações ou não se utilizando das proteções básicas, hoje disponíveis em todos os lugares. Prudência, cuidado de si e do próximo, atenção especializada e apoio mútuo continuam sendo ações decisivas na prevenção e nas ações permanentes daqui para frente.