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Segurança hídrica é tema central do V Workshop da Agência e Comitê de Bacias -PCJ e nós fomos lá para conferir e compartilhar com vocês

publicado em 10 de dezembro de 2019 - Por Ambiente em Pauta

O V Workshop de Águas Subterrâneas da Câmara Técnica de Águas Subterrâneas do Comitê e Agência de Bacia PCJ, ocorrido entre os dias 27 e 28 de novembro de 2019 no CEA – Centro de Estudos Ambientais da UNESP de Rio Claro/SP proporcionou intenso espaço de trocas e aprendizagens, mediada por profissionais altamente qualificados. O tema central desta edição foi dedicado à Gestão para Segurança Hídrica.

Bragança Paulista/SP teve duas participações através das inscrições das geógrafas Patrícia Martinelli, colaboradora do Coletivo Socioambiental e Associação Bragança Mais e Nádia Zacharczuk, da Divisão de Desenvolvimento Ambiental (DDA) da Prefeitura de Bragança Paulista.

O primeiro dia foi dedicado a palestras e uma mesa redonda. Foram seis palestras ao longo do dia. Entre os temas das palestras: Aquífero Guarani, mudanças climáticas e recursos hídricos, fundamentos da classificação da qualidade de água subterrânea, política de mananciais PCJ, modelagem matemática aplicada a gestão de aquíferos, educação ambiental, difusão de informações e mobilização social e sensibilização ambiental com foco nas águas subterrâneas. No conjunto podemos destacar a importância de compreensão da limitação de aquíferos subterrâneos como fonte alternativa, uma vez que esses aquíferos fazem parte do ciclo de água e tem formas diferentes de serem “reabastecidos”.

O uso não controlado levaria ao esgotamento e contaminação destes mananciais e impactando o volume e qualidade das águas dos rios. Segundo especialista, os rios são perenes mesmo em período de seca em grande parte do Brasil, devido à contribuição das águas subterrâneas que mantem esse rios fluindo.

Uma outra informação relevante é que no Brasil, parte significativa da população depende deste tipo de manancial, uma vez que nascentes e águas subterrâneas são utilizadas por boa parte da população que não tem acesso a rede de água. Deste modo, grande parte dos apontamentos levam a concluir no estado atual que os aquíferos subterrâneos são sim estratégicos, todavia não podem ser vistos isoladamente de sua condição de integrante do ciclo da água.

Na palestra sobre mudanças climáticas e recursos hídricos, o consultor da ANTEA GROUP Brazil destacou que as empresas estão muito atentas à questão de segurança hídrica e o impacto em suas cadeias de negócios, ressaltando que é muito relevante produção de conhecimento com transparência para aumentar capacidade dos municípios em relação à segurança hídrica. A questão do saneamento básico permeou grande parte das discussões por ser ainda um tema altamente relacionado à disponibilidade qualiquantitativa de recursos.

A mesa redonda sobre ciência, comunicação e políticas públicas: como associar a compreensão e a ação no campo dos recursos hídricos subterrâneos ocorreu na parte da tarde. Essa mesa redonda, em particular, teve uma formação muito interessante, colocando em linha de diálogo três diferentes agentes sociais: um cientista (Prof. Dr. Ricardo Hirata – USP/CEPAS); um político (Assessor parlamentar da Dep. Estadual Marina Helou – Carlos Henrique Oliveira) e uma jornalista (Afra Balazine).

A riqueza do diálogo foi a busca concreta do estabelecimento de pontes entre produção de conhecimento científico, divulgação científica em linguagem acessível para informação da população e a apropriação do conhecimento científico como base para propostas normativas consistentes e que defendam o interesse público. No segundo dia minicursos foram ofertados.

O evento promoveu ainda concurso de poesias e fotografias, com o objetivo de incentivar todos os cidadãos que vivem nas Bacias PCJ a traduzirem nestas duas linguagens a sua relação íntima com as águas, fazendo um exercício de autoconhecimento e de percepção.

Contribuição de Patrícia Martineli, integrante da Associação Bragança Mais e Coletivo Socioambiental.