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Rumo a uma terra de abundância e vida plena

publicado em 2 de abril de 2021 - Por Antônio Carlos de Almeida

O coelhinho e os ovos são do nosso modo atual de celebrar a Páscoa; esta, no entanto, vai muito além na sua origem, profundidade e significado.

A Páscoa só pode ser compreendida a partir dos relatos bíblicos da libertação do povo hebreu da escravidão do Egito, e dos textos evangélicos sobre a vida terrena, morte e ressurreição de Jesus.

Há mais de quatro mil anos, o patriarca Abraão deixou a sua terra natal em busca de Canaã, a terra prometida aos que seguissem o chamado do único e verdadeiro Deus, e lá fundou os primeiros descendentes do povo judaico. No entanto, um período de grande estiagem e falta de alimentos forçou os judeus a se transferirem para o Egito, em busca de melhores condições de vida. Após uma chegada relativamente amistosa, os hebreus acabaram sendo transformados em escravos dos egípcios.

Moisés, hebreu criado no palácio do faraó, ao atingir a vida adulta recebeu de Deus a missão de promover a libertação definitiva dos judeus do Egito. Teve então muito trabalho para convencer o faraó e para reunir o seu povo para esse longo deslocamento em direção à terra prometida. Na véspera da partida, o povo recebeu orientações quanto a uma ceia que deviam realizar com pães ázimos (sem fermento) e cordeiro.

Com o sangue deste, cada família de Hebreus devia marcar a porta de casa, visto que naquela noite a última praga estaria assolando todos os primogênitos egípcios. Era uma ceia rápida para aqueles que logo mais se colocariam a caminho da terra prometida: “Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do Senhor” (Êxodo 12:11).

O percurso até Canaã foi longo e difícil. Muitos quiseram desistir, alguns questionaram a Deus e a Moisés, várias foram as intervenções de Deus, tal como o Maná que desceu do céu e a travessia do Mar Vermelho, enquanto o exército do faraó era sufocado. Anos depois, chegando à terra prometida, os judeus determinaram que a Páscoa era a festa mais importante do seu calendário religioso.

Séculos depois, chegando a Jerusalém dias antes da sua morte, Jesus ordenou aos discípulos que preparassem a refeição da Páscoa nos moldes da tradição Judaica: E disse-lhes: “Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça” (Lucas 22:15). Enquanto a celebrava, deu a essa mesma festa novo significado, ao abaixar-se para lavar os pés dos discípulos e depois partir o pão e distribuir o cálice, seu corpo e sangue doados para uma nova aliança entre os homens e Deus. Pediu em seguida que isso fosse feito em sua memória.

Retirou-se em seguida para orar durante a noite. Foi então traído, preso, condenado, morto no alto da cruz e sepultado no final da tarde de sexta-feira. “E, passado o sábado, Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo. E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do sol. E diziam umas às outras: – Quem nos revolverá a pedra da porta do sepulcro? E, olhando, viram que a pedra já estava revolvida; e era ela muito grande.

E, entrando no sepulcro, viram um jovem assentado à direita, vestido de uma roupa comprida, branca, e ficaram espantadas. Ele, porém, disse-lhes: – Não vos assusteis; buscais a Jesus Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui; eis aqui o lugar onde o puseram. Mas ide, dizei a seus discípulos, e a Pedro, que ele (Jesus ressuscitado) vai adiante de vós para a Galileia; ali o vereis, como ele vos disse” (Marcos 16, 1-7).

A Páscoa, desde então, é a passagem da morte para a vida, imenso mistério da revelação cristã. É dom de Deus, graça disponível para todos aqueles que abrem o coração, creem, observam a Palavra de Deus e a colocam em prática. O almoço de Páscoa em família deve ser um momento de intenso amor e alegria.

A comunhão com Deus e com os irmãos, a partir de então, é dom de Deus e um desafio a ser realizado diariamente por cada um de nós. A Páscoa é contagiante, as mulheres que foram ao sepulcro logo correram para dar a notícia aos discípulos e estes foram ao mundo todo para dar essa Boa Nova, que por isso chegou até nós.

Podemos e devemos levá-la adiante para muitos outros. Num mundo tão contraditório como o nosso, a Boa Nova é cada vez mais necessária. Páscoa, hoje como no tempo de Moisés e de Jesus Nazareno, é a marca inicial de uma longa e dura caminhada na direção da terra prometida e da vida plena e abundante.