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Rios Urbanos, o que aconteceu com nossos RIOS?

publicado em 18 de fevereiro de 2020 - Por Ambiente em Pauta

Quando pensamos em nossas cidades, vem em mente os prédios, as ruas, os viadutos, os RIOS, as casas, os centros comerciais e institucionais, as praças, os parques , os lagos. O que aconteceu com os nossos RIOS?

Os rios contornavam as cidades (centros) no início de sua fundação, e com o crescimento agora eles fazem parte destas cidades. Anteriormente tinham uma grande função social, ambiental e econômica; hoje os rios urbanos são bem diferentes, são poluídos e provocam transtornos à população.

Os rios serviam para a pesca, lazer, transporte, abastecimento de água, alimentar uma pequena produção, para a vida dos animais, para as mulheres lavarem as roupas, e quando este rio atravessava a cidade, todo o esgoto dela era descartado a céu aberto. Este esgoto se alojava nas várzeas, gerando um grande mau cheiro, provocando doenças, e essa poluição dos rios foi acabando com os peixes e demais animais.

Antes os rios corriam irregulares com suas matas ciliares e eram cheios de curvas e de vasta beleza natural. A exemplo da cidade de São Paulo, na qual por uma questão de saúde pública o poder público resolve junto a loteadores aterrar as várzeas dos rios para acabar com o esgoto a céu aberto e nestes locais criar novos bairros para atender a demanda habitacional da população vindo do interior, alguns parques se formaram em algumas várzeas com o Parque do Anhangabaú e Parque D. Pedro II.

Sabemos que hoje alguns rios e córregos estão canalizados e retificados, isto é deixaram de ter curvas e seus leitos foram afundados. Assim, restava mais espaços para aproveitar a circulação, pois a cidade crescia. Na ocasião, as justificativas das retificações foram que deste modo o esgoto iria embora da cidade mais rápido. Surgem aí as avenidas, os viadutos, as construções impermeabilizando o solo, ocupando muitas vezes as margens destes rios.
Muitas pessoas hoje não sabem onde estão estes córregos e rios, qual o seu caminho, só sabemos que estão debaixo das cidades.

Construções e mais construções vão aparecendo no lugar das pequenas matas que restavam. As avenidas ocupando as áreas de vale próximas às margens dos rios, dos córregos e nas várzeas. Tudo vai acontecendo desordenadamente, este era o progresso de que tanto se falava.

As cidades vão crescendo sem planejamento, sem infraestrutura, ocupando áreas inadequadas, passíveis de inundação e de deslizamento , áreas de encosta. Tudo para dar lugar aos novos bairros, que se estabeleceram um pouco mais afastados do Centro, onde teriam que abrir novas ruas e avenidas.

A urbanização esquecendo do principal, estabelecer projetos, regras e metas para que possamos conviver em “EQUILÍBRIO COM A NATUREZA”, com os RIOS e as matas.

As águas dos rios foram ficando poluídas e a relação dos rios com a cidade foi mudando. Hoje se tornaram um obstáculo e os corpos d’água se tornam um grande problema para a cidade.

Com o tempo das chuvas, o solo encharcado provoca deslizamento nas encostas, destruindo casas, favelas, estradas, soterrando tudo, deixando mortos e muitas tragédias, pessoas desamparadas, desesperadas, um grande problema para as cidades. Os rios transbordam provocando inundações, deixando muitas pessoas sem suas casas, sem um teto, sem alimentação, sem condução, sem amigos, sem parentes.

O que aconteceu com os nossos RIOS?

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Contribuição de Bia Maia, integrante da Associação Bragança Mais e Coletivo Socioambiental