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QUEM DIRIA… EU VI DE NOVO!

publicado em 8 de junho de 2018 - Por Monsenhor Giovanni Barrese

Certamente muitos ainda recordam uma campanha eleitoral para a presidência da República que tinha perto de vinte candidatos.

Parece que foi nessa que o Collor foi eleito! E, também, muitos ainda se recordam dos “fiscais do Sarney”.

Houve um considerável desabastecimento de carne. Muita gente estocou o que pode! Naturalmente o preço foi apimentado! Como parêntesis me recordo que em casa, durante o tempo da escassez, não houve consumo de carne.

Minha mãe fazia o molho da macarronada com salchicha! E ai se alguém aparecesse com carne! Era preciso cooperar com o governo diante das artimanhas dos produtores (assim era o noticiário!). Pensava eu que não iria ver repeteco. Ledo engano!

Cá estamos numa campanha eleitoral com um bocado de candidatos e com grande interrogação.

Que propostas para o País estão sendo apresentadas? Qual o currículo consistente apresentado pelos candidatos? Percebe-se, de modo geral, um vazio. Junta-se atitude decorrente da greve dos caminhoneiros. A parada dos transportes fez faltar os derivados do petróleo e, em parte, afetou a chegada de alguns gêneros de alimentação aos mercados. O que aconteceu? Correria! Os preços foram abusivamente multiplicados! Por aqueles que caíram na armadilha do estocar e por aqueles que, na anormalidade da oferta, se aproveitaram para levar vantagem! Eu pensava que lições do passado nos tivessem dado um pouco mais de racionalidade.

Parece que não foi assim. Parece que ainda não é assim. Em relação ao debate político chama a atenção o desejo expresso de sistema quase que ditatorial de governo. Tanto na proposta de um sistema militar, como num sistema civil marcado por algum salvador da Pátria! Ouso repetir aquilo que muitos pensam.

A democracia não é perfeita, mas é a única maneira de caminhar na construção da convivência onde quem pensa diferente ou contra possa manifestar-se. É mil vezes melhor lidar com um contraditório aguerrido que com um sistema que não permita nem se manifestar e nem pensar! Deve causar espécie o desejo de mudança que venha de estrutura externa.

O que acontece hoje entre nós é resultado das escolhas que fizemos e fazemos. E da inércia com que a sociedade acompanha os acontecimentos. Penso que é muito claro o jeito individualista de encarar a realidade. Não é estranho o “tando bom prá mim, o resto que se dane”! No campo da política estamos caindo na grande mentira que a política é suja e os que entram nela são sujos também.

Não percebemos que o Poder é de cada cidadão e da Sociedade. Sujeitos que delegam aos representantes que escolhem! A descoberta de sistemas e pessoas sujas passa pela missão de executar a limpeza na denúncia e na ação. Isso se faz, sem dúvida, nas manifestações públicas de grande ou pequena abrangência.

Creio, todavia, que passa pela mudança de mentalidade que tem sua base na Educação. Começa esse caminho no colo dos pais. E nos leva a pensar como nossas crianças e jovens tem sido preparados para a convivência social numa realidade tão díspar como a nossa. Passa a Educação pelo campo precioso de nossas escolas. E, sem dúvida, se deve questionar educação que se preocupe somente com o conteúdo que leve a passar no vestibular.

E que mesmo nas escolas superiores leve a executar serviço profissional sem conhecer a realidade dos que necessitam das habilidades dos formados! Ainda me lembro do acordo MEC-USAID dos anos sessenta! Levou a abandonar a inspiração humanista da Educação para cair no campo do pragmatismo de fazer.

Ficamos bons na execução de projetos. Não aprendemos a pensar sobre eles! A consciência crítica, tão trabalhada por Paulo Freire, não encontrou o eco devido, salvo poucas exceções. Por isso estamos aprendendo a reagir com irritação, intolerância e violência.

Será que vamos aprender um jeito que revolucione nossa convivência democrática? Ou continuaremos a defender o “Meu” e deixar para algum caudilho cuidar do “Nosso”?