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Quando a ameaça à vida já não assusta mais

publicado em 10 de maio de 2022 - Por Ambiente em Pauta

Não é de hoje que as questões ambientais representam uma pauta muito séria quando falamos na manutenção da qualidade de vida no planeta.

A cada ano os problemas se tornam maiores e ainda mais sérios, pois há um acúmulo das consequências de problemas primários não resolvidos e o surgimento de novos. Soma-se a isso o negacionismo, que sempre existiu, mas agora parece encontrar mais eco e com isso atrapalha os processos de educação, recuperação e proteção ambiental.

Cuidar de meio ambiente é investir em qualidade de vida – essa máxima, muito usada nos discursos socioambientais, está imbuída de uma perspectiva de médio e longo prazo. Na verdade, a educação ambiental, seja ela formal ou não formal, tem objetivos para serem plenamente alcançados no futuro, investimentos no presente com vistas a resultados que se mostrarão a longo prazo.

Assim, forma-se a seguinte equação: problemas ambientais no presente + ações educativas e de proteção/recuperação no presente = resultados no futuro (médio e longo prazo).

O problema dessa equação em uma sociedade imediatista, é que a preocupação com o futuro não tem espaço na vida e na mente das pessoas.

Falar ou demonstrar que os problemas que nosso modo de ser está causando no planeta Terra na atualidade – mesmo trazendo problemas no presente – coloca sua vida, de seus descentes e outros em risco no futuro, não sensibiliza as pessoas o bastante para uma mudança de pensamento e consequentemente de postura.

Isso já era uma situação diagnosticada há algum tempo, pensava-se que, quando o risco a vida se tornasse iminente, as pessoas iriam repensar e mudar de postura. Infelizmente, a experiência de viver uma pandemia nos mostrou o contrário – mesmo com um risco a curtíssimo prazo de perder sua vida e de pessoas queridas, muitas pessoas se negaram a acreditar no problema e/ou mudar alguns hábitos para salvar suas próprias vidas!

Agora pense conosco: se, em uma ameaça a curtíssimo prazo que coloca sua vida em risco, a sociedade (parte dela) se mostra indiferente, o que vai ser das campanhas ambientais que indicam ameaça à vida a médio e longo prazo?

Esse tipo de questionamento nos tira o sono, provoca uma descrença na humanidade, mostra que não nos salvaremos.

É claro que em meio a essa parcela da sociedade, há pessoas esclarecidas, sensíveis às questões de sobrevivência e preocupadas com nosso futuro comum. É por essas que continuamos com nossos trabalhos, são essas que motivam a nos manter firmes e atuantes pela causa ambiental.

Nosso futuro é comum. O processo de educação, proteção e recuperação ambiental poderia ser mais promissor e efetivo se não tivéssemos que gastar tempo e energia sempre repetindo e evidenciando o óbvio.

 

Contribuição de Maria Cristina Muñoz Franco, integrante do Coletivo Socioambiental e Associação Bragança Mais.


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