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Próximas eleições

publicado em 6 de setembro de 2018 - Por Pedro Marcelo Galasso

A corrida pelos cargos dos poderes executivo e legislativo, em suas esferas estaduais e federal, tiveram início oficial na última semana.
Por enquanto, nada de novo, já que o formato das propagandas eleitorais permanece o mesmo a décadas e as perguntas insonsas continuam marcando as entrevistas dos meios de comunicação e os candidatos, com alguns desses meios expondo suas preferências e nem sempre mantendo sua isenção, aspecto fundamental de uma mídia livre e comprometida com a verdade e a apuração correta dos fatos.

Com relação aos candidatos aos cargos legislativos não há muito o que dizer, ou seja, candidatos esdrúxulos concorrem nas eleições e são motivos de piadas e de descaso, nos levando a perguntar como a Justiça Eleitoral autoriza tais campanhas. Alguns dirão que se trata de um princípio democrático, mas as candidaturas devem se pautar em propostas plausíveis e na observação das atribuições corretas dos referentes cargos e não se pautarem em um show que tira a credibilidade das eleições e que só confundem o desinteressado e desacreditado eleitor brasileiro.

Eleitor que nem de longe é inocente. Ele só é desinteressado, não quer se ocupar da vida pública, por cansaço, por descrença, por falta de interesse puro e simples. Entretanto, essa postura é um dos componentes que alimenta uma máquina de poder excludente e corrupta que lesa o Estado e que prejudica a vida de todos nós, incluindo aqui a vida dos desinteressados.

Parte da culpa é do eleitor, mas o peso maior é do Estado que usa dessa fragilidade democrática para tumultuar o processo eleitoral e tornar tudo isso mais desinteressante. Quem se beneficia com isso? A resposta é, como sempre, óbvia.

O mesmo pode ser dito sobre os candidatos aos cargos executivos. Candidatos sem propostas, sem planos, sem respostas. Alguns mais violentos e truculentos, com seus seguidores e devotos ignorantes e idiotas, tal qual na nomenclatura política grega; outros candidatos sem carisma e que se limita a maldizer os demais candidatos numa tentativa patética de esconder e transferir seus defeitos aos demais; enquanto outros pregam o fim do Estado como se esse fosse o culpado pela inércia brasileira; a religião é a bandeira de outros tantos; enfim, candidatos despreparados e que não serão capazes de criar bases para um governo justo, honesto e preparado para lidar com os gigantescos problemas nacionais.

Não há horizonte, nesse contexto? O que deve ser feito?

Parece que o imediatismo que se impõe diz que, mais uma vez, precisamos escolher dentre os piores aquilo que nos parece menos danoso e construir, de forma consciente e democrática, um quadro político novo, inclusivo e plausível, bem distante da paródia chamada de Partido Novo. Precisamos de propostas que se pautem na violência expressa e nem na utopia militar tal qual defende o perverso e danoso Jair Bolsonaro e nem usar de apelos sentimentais ou da perversão e do uso profano de ideais religiosos como fazem Alckmin, Marina Silva e similares; o fanatismo messiânico e político lulista também deve ser visto com atenção, assim como o reformismo dos partidos que se dizem de esquerda.

Apesar do cenário pouco atrativo, continuar a lutar é preciso principalmente pela renovação do nosso quadro político e de reformas eleitorais que, substancialmente, melhorem nossas possibilidades de escolha.

Pedro Marcelo Galasso – cientista político, professor e escritor. E-mail: p.m.galasso@gmail.com