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Pro Brasiliafiant eximia

publicado em 27 de outubro de 2018 - Por Antônio Carlos de Almeida

Você conhece essa expressão latina? Sabe o que ela significa? Confesso que até alguns dias atrás não conhecia. Se me perguntassem, não faria a menor ideia. Fiquei satisfeito porque rememorando o Latim que estudei na adolescência, a exemplo de outras pessoas que estudaram no Colégio São Luiz, no Seminário Santo Agostinho e em escolas estaduais até a década de 1970, fui capaz de traduzir sem grande esforço.

Essa expressão latina encontra-se no brasão do Estado de São Paulo, contornado por alguns ramos de café e seus frutos. Significa “pelo Brasil façam-se grandes coisas”. A frase é altruísta. Poderia sugerir que façamos alguma coisa pelo nosso Estado, mas vai além, orienta-nos a fazer grandes coisas, a fazer o melhor, a realizar a excelência em favor do nosso país. Parece-me ser uma mensagem importante para o nosso atual momento histórico.

Durante os últimos meses, e mais intensamente ao longo da campanha eleitoral que estamos encerrando, muito se falou de crise econômica, social, cultural, educacional, de saúde, de segurança, de empregos insuficientes e, de forma muito acentuada, moral. Essa crise é real, requer um enorme esforço e, principalmente, união de todos.

O segundo turno de eleições tem dentre seus objetivos o fato de respaldar o eleito com uma quantidade de votos próxima de uma maioria pelo menos simples. Assim, o eleito adquire maior respaldo popular para realizar os projetos anunciados. Tem então maior possibilidade de atender aos clamores depositados na urna. E maior força para enfrentar os problemas reais que acabam de ser aguçados pela própria campanha eleitoral.

No entanto, na história recente do país, com Dilma e Aécio, e agora com Bolsonaro e Haddad, o desejo, a necessidade e a urgência de mudanças estão bem presentes, mas as duas alternativas que se apresentam são bem diferentes, antagônicas sob diversos aspectos. Aparece então uma espécie de divisão, de estranhamento e de confronto no seio da sociedade brasileira. Com a crescente força das mídias sociais, esse estranhamento esteve presente inclusive no âmbito de famílias e grupos de amigos.

Tem havido muito engajamento emocional na campanha eleitoral para presidente de República e para governador do Estado. As discussões facilmente adquiriram o tom de discussões de torcedores fanáticos de times de futebol. Os candidatos, de uma forma mais intensa do que a habitual, na reta final também elevaram a temperatura do confronto.

Muita coisa está em jogo, não poucos os problemas a serem resolvidos de forma definitiva, tudo isso num cenário internacional de instabilidade, crescentes confrontos e de alta competividade. Não poucos países estão sendo marginalizados, abandonados à própria sorte. Crescentes são os grupos de desterrados que perambulam pelo mundo em busca de um espaço que lhes caiba. Milhares de brasileiros já partiram para outros países na busca da realização de seus sonhos. Vivem longe dos seus, sem ainda conseguir realizar os sonhos. Outro tanto também quer partir daqui. Apesar de todos os recursos da modernidade, a vida humana feliz e plena de realizações não está fácil em nenhum dos quadrantes do mundo atual.

Qualquer que seja o resultado, é urgente a junção de forças e, sobretudo, a superação de divisões. Campanha eleitoral é tempo de discutir alternativas. É um espaço de tempo pequeno diante de 4 anos de mandato, tempo de enfrentar problemas, reunir forças e construir soluções que beneficiem ao conjunto da população. “Pro Brasiliafiant eximia”: “Pelo Brasil façam-se grandes coisas”.

Eleitores e eleitos estão convocados a um diálogo permanente, a articulações políticas verdadeiras, a uma renovação moral (eleitos e eleitores) e à implementação de ações economicamente eficientes e socialmente relevantes, para o bem de crianças, jovens, adultos e idosos, começando necessariamente pelos mais pobres.