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Prazer do topo

publicado em 27 de junho de 2020 - Por Pastor Jessé

“Eu gostaria que alguém me tivesse dito, lá atrás, que quando você chega ao topo, não há nada lá”. Assim ponderou, no pico de uma vida de sucesso, o renomado escritor britânico Jack Higgins, autor do renomado livro “A Águia Pousou”. A expectativa de encontrar a satisfação ou prazer pleno em algum topo da vida é uma saga frustrante e comum ao ser humano, seja nos negócios, profissão, posses, relacionamentos, entretenimento, vícios, etc.

Higgins se equivocou na sua ponderação ao lamentar que ninguém o advertiu sobre a expectativa equivocada que tinha sobre o “topo”. Já foi dito, há muito tempo, que o prazer do topo, em si, é vazio.

Séculos antes de Cristo, depois de uma vida intensa e de luxuria, o bem-sucedido rei Salomão concluiu: “Eu disse a mim mesmo: Venha! Experimente a alegria. Descubra as coisas boas da vida! Mas isso também se revelou inútil… não me recusei a dar prazer algum ao meu coração…. Contudo… percebi que tudo foi inútil… não há nenhum proveito no que se faz debaixo do sol” (Bíblia, Eclesiastes 2:1-11).

O problema humano não é que não há advertência sobre o frustrante prazer do topo. O problema é que poucos ouvem a advertência. Não ouvem porque a ilusão do prazer do topo é inebriante demais, especialmente nos anos jovens e fortes da vida. E a essa ilusão se ajunta a comum arrogância humana, não permitindo que haja espaço para se ouvir advertências como a de Salomão.

O ser humano, sempre hedonista, fazendo do prazer seu objetivo, colhe o oposto do que busca nos topos que atinge. Ao ser movido pelo prazer, o ser humano vive num mundo vazio, infeliz e frustrante. O prazer em si é como a droga. Sempre se busca mais para se conviver com o vazio provocado pela frustração da fugacidade do prazer anterior. E novos topos são perseguidos na ilusão de que o próximo topo será diferente.

O epicurismo ensinava que o prazer, no sentido de contraponto ao que angustia, é o bem maior. E por isso ele deve ser o alvo da vida. Já o estoicismo afirmava que a “apatia”, ou seja, o negar todo desejo de prazer, é o caminho melhor para a vida. Porém, o caminho sábio, que responde ao drama humano, não é nenhuma dessas duas propostas.

F. W. Boreham, outro autor inglês, escrevendo meio século atrás, enquadrou bem o dilema humano: “Nós balançamos como um pêndulo, indo da libertinagem epicurista para a severidade estoica, falhando em não reconhecer que… é a glória do Cristianismo que, rejeitando o absurdo dessas duas opções, conjuga as excelências cardinais das duas… Estamos no mar sem compasso. Nossas teorias do prazer estão em confusão desanimadora. Não existe uma doutrina definida da diversão? … Deve haver uma! E há.”

Sim, há. Na idade avançada, com anos de experiência e reflexão, o rei Salomão concluiu: “Alegre-se jovem, na sua mocidade… mas saiba que por todas essas coisas Deus o trará a julgamento… Lembre-se do seu Criador nos dias da sua juventude… (Eclesiastes 11:9 a 12:1).

Topos e prazeres se tornam uma satisfação realizadora quando são experimentados dentro de uma existência que tem em Deus o prazer maior. Esse é o segredo do viver. Deus é o topo dos topos, pois Ele nunca passa e frustra.

Nele e para Ele é que se deve experimentar os topos terrenos. Em Deus, os topos terrenos, e seus prazeres, encontram seu devido lugar. E essa vida com Deus se encontra em Cristo, aquele que afirmou: “eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente” (Bíblia, João 10:10).

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