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Poucos fazem muito

publicado em 4 de agosto de 2018 - Por Antônio Carlos de Almeida

Quando observamos o trabalho de um grupo de pessoas, facilmente identificamos que poucos desenvolvem a maior parte das ações e que a maior parte do grupo realiza poucas ações. Por exemplo, menos de 20% das celebridades dominam mais de 80% da mídia, enquanto mais de 80% dos livros mais vendidos são de 20% dos autores.

Quando saem os relatórios anuais de atuação dos parlamentares do Congresso Nacional, observamos facilmente que um pequeno grupo de senadores e deputados responde pela maioria das emendas e leis sancionadas, enquanto a maioria passa em branco, sem qualquer produção.

Esse fenômeno tem uma definição científica conhecida como princípio de Pareto, um economista italiano: “80% das consequências advêm de 20% das causas”. Exemplos: Em vendas comissionadas, 20% dos vendedores realizam 80% das vendas e ganham proporcionalmente mais.

Normalmente, 20% dos clientes de um estabelecimento comercial respondem por cerca de 80% dos lucros desse negócio. Se prestarmos atenção no futebol ou outros esportes, verificamos facilmente que 20% dos atletas conseguem carreira estável; a maioria aparece durante um breve intervalo de tempo e logo desaparece ou sobrevive com dificuldade em clubes pequenos.

O princípio de Pareto também é conhecido como a regra 20/80. Trazendo essa tendência para o nosso dia a dia, veremos que isso ocorre toda hora na nossa sala de aula, no nosso trabalho, na nossa Igreja, na Câmara Municipal, na Prefeitura, em todo lugar em que várias pessoas atuem numa mesma operação. Moral da história: há sempre muita gente encostada, esperando que outros façam, pouco contribuindo para a realização dos serviços e para a concretização dos projetos.

As equipes, empresas, organizações e países competitivos dependem de investimentos para que os 20% eficientes continuem fazendo brilhantemente a sua parte e, também, para que os 80% melhorem a sua contribuição. As empresas que adotam processos de melhoria contínua de produtividade e qualidade de seus produtos ou serviços, investem pesado em educação, treinamento, coaching, palestras e assessoria para melhorar essa equação.

Pessoalmente também convém que façamos essa análise. Qual tem sido a minha contribuição no ambiente familiar, de estudo, de trabalho, de igreja e de cidadania? Em cada um desses ambientes, faço parte dos 20% que constituem o grupo eficiente? Identificada alguma situação em que minha atuação deixa a desejar, convém nos preparar, buscar motivação e melhorar o desempenho.

Isso contribui de forma decisiva para a imagem que passamos para outras pessoas. Uma imagem negativa, de pessoa desligada ou pouco interessada, é difícil de ser revertida. Uma imagem positiva, de pessoa envolvida, dedicada, comprometida e eficiente, abre muitas portas.

Há, no entanto, um motivo ainda maior para estar sempre no pequeno grupo daqueles que resolvem e fazem acontecer. Isso é prazeroso. A pessoa sente-se realizada. Feliz por fazer aquilo que só ela mesma pode realizar.