Colunistas

Possibilidades e reflexões

publicado em 15 de outubro de 2018 - Por Pedro Marcelo Galasso

A filosofia grega estava profundamente vinculada a sua vida pública e política, assim as mudanças que ocorreram na Grécia, notadamente após a invasão e a posterior conquista da região pelo Império Macedônico, com Filipe II, por volta de 338 a.C., e a presença gigantesca de Alexandre Magno e de seu vastíssimo império, servem para uma reflexão pertinente ao momento histórico, não só por aqui, mas em um âmbito maior já que o terror e despolítica se abrem em várias frentes e países.


Quando as polis gregas perderam a autonomia política e viram o ruir de suas democracias, ao serem incorporadas ao Império Macedônico, sofreram uma mudança no pensamento político e filosófico.

Da sua participação cidadã nos destinos da polis, algo imperativo para seus cidadãos, os gregos se tornaram serviçais de um império que centralizava as decisões e restringia a participação política à simples obediência.

De grandes sistemas filosóficos que pensavam os mais variados aspectos de nossas vidas, o domínio macedônico obrigou filosofia grega a buscar refúgio no interior das pessoas, o espaço de liberdade que ainda se mantinha possível.

A liberdade e o desejo pelo ser livre, bem como a realização e a busca de valores voltados ao bem comum mudou de esfera, para a esfera pessoal, sem o egoísmo que nos marca e nos caracteriza, mas sim como uma moral prática e constante no espaço possível de liberdade que restava.

Portanto, a arte do viver, cara aos filósofos pós-socráticos, é um espaço possível, exequível e rico diante do temor e da escuridão que se formam no horizonte. É uma mensagem clara aos desalentados e desesperançosos, aos pessimistas realistas que fogem de elucubrações sem razão e sem sentido que veem nos sonhos algo mais que um simples sonho. Gramsci dizia que o pessimismo da realidade deve ser acompanhado pelo otimismo da vontade.

O caos, o terror e o temor existem, assim como existe a busca incessante pela liberdade em todas as esferas possíveis e, nesse caso, os pós-socráticos e a História grega podem nos indicar um caminho dentre os diversos descaminhos.

Como escrevia Epicuro – “A felicidade é possível”.

É justo dizer, mediante ao cenário desastroso que se apresenta, que a liberdade é e será possível, sempre, nem que seja no interior de cada um de nós.

No entanto, o peso desse processo eleitoral não será pequeno, algumas máscaras caíram, véus foram retirados. As decepções com as pessoas são muito fortes ou a tendência de julga-las parecem corretas, pois as expectativas criadas são de cada um de nós, transferidas para os outros sem o consentimento do outro.

Repensar relações, entretanto, se faz necessário, com calma, sem ressentimentos ou revanchismos. Os tempos nebulosos chegaram, sem surpresas e por culpa do que não construímos. Difícil mesmo vai ser olhar para o espelho e aceitar as responsabilidades das (des)escolhas.

E, para encerrar, a aceitação do emporcalhamento da cidade, majoritariamente, por um dado candidato mostra bem o que pensa e como age o eleitor da cidade.

Pedro Marcelo Galasso – cientista político, professor e escritor. E-mail: p.m.galasso@gmail.com