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Por que agora? Porque é ano eleitoral

publicado em 14 de março de 2020 - Por Dirce Guimarães

Não dá Prefeito, no último ano da administração municipal realmente não dá tempo para fazer “obras”. Último ano é o momento de arrematar as grandes obras iniciadas nos três primeiros anos da administração. Como não temos nem grandes e nem pequenas obras, o jeito é ficar nas rotinas, nas manutenções: capinação das ruas, das avenidas, tapar buracos, conservar as estradas rurais, limpar os parquinhos, o entorno das escolas, pintar a sinalização de solo, pintar e sinalizar as lombadas, fazer uma boa faxina nos prédios públicos etc. etc.

POR QUE AGORA? PORQUE É ANO ELEITORAL. PARECE UM DESVARIO IMPLANTAR UMA CICLOFAIXA NO ENTREMEIO DE UMA AVENIDA. É ISSO O QUE ESTÁ ACONTECENDO NA NOSSA BRAGANÇA

Ninguém está entendendo a implantação desse arremedo de ciclofaixa na Avenida dos Imigrantes no seu canteiro central. População e ciclistas estão preocupados com a localização. Localização que facilita acidentes. Localização que prejudica o fluxo dos veículos. Quem é o autor desse Projeto? Teve pareceres técnicos? Qual o custo? Pela declaração do Secretário Municipal de Mobilidade Urbana neste Jornal, de 10/03/20: “Ainda está longe de ser uma ciclofaixa”, parece uma obra aleatória.

Ciclofaixa, ciclovia, respondem as necessidades de trabalhadores e de esportistas, desde que com a estrutura de um bom projeto técnico e implantadas em local que dê segurança ao ciclista. Prefeito Jesus! Se não cumpriu suas promessas de campanha, agora não dá mais tempo. Deixe para o próximo prefeito!

COMO ESTAMOS EM ANO ELEITORAL, CONVÉM ESCLARECER COMO FUNCIONAM AS CHAMADAS “EMENDAS PARLAMENTARES”

O que são “Emendas Parlamentares”? Emendas Parlamentares são recursos financeiros distribuídos pelo Presidente e pelos Governadores aos Legisladores para que eles destinem aos seus redutos eleitorais. Elas têm abrigo na Constituição, com justificativas pífias e facilmente transgredidas. Por isso, definimos assim: Emendas Parlamentares são instrumentos eleitoreiros usados pelos legisladores: Senadores, Deputados Federais, Deputados Estaduais, para somar votos nos municípios em que destinam esses recursos financeiros. Acaba sendo uma forma de fazer campanha eleitoral extemporânea, em benefício próprio, com o nosso dinheiro.

Aqui, na nossa Bragança, é usual ouvirmos o atual Prefeito, as “suas” Vereadoras, os “seus” Vereadores, Secretárias e Secretários Municipais, a sua Assessoria, agradecerem imensamente o apoio dado pelo Deputado Edmir. Ora!!! Que condicionamento é esse? E se não tivesse esse Deputado a administração não aconteceria? Eesse fato é diário. Caracteriza ou não caracteriza campanha eleitoral? Outros Deputados Estaduais e Federais com algumas emendas aqui, as suas citações são raras. O objetivo é um só: manter-se no Poder.

POIS É, E QUE DEMOCRACIA É ESSA? A CONSTITUIÇÃO FEDERAL REZA: TODOS OS CIDADÃOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI. NO PROCESSO ELEITORAL NÃO SÃO IGUAIS. TÊM OS PRIVILEGIADOS. E COMO! E NINGUÉM VÊ?…

Observem: Os eternos candidatos à reeleição, que fizeram da política a sua profissão, ao lançarem mais uma vez os seus nomes, já saem na frente dos demais candidatos concorrentes, que não tiveram como eles quatro anos de “campanha eleitoral”, com seus nomes expostos na mídia, com régios salários, com mordomias revoltantes, com uma numerosa assessoria (tudo pago por nós), que trabalha os seus nomes nos seus redutos, com as mais diferentes formas de articulação: promessas, barganhas, acordos e outros que tais.

Que Legislação Eleitoral é essa, que protege, que privilegia cidadãs e cidadãos ocupantes de cargos eletivos, dando a elas e a eles todo o suporte financeiro/administrativo? Onde está a “Justiça” do Judiciário? Onde estamos nós? Para o Poder Legislativo as reeleições não têm limites. Analisem o número de reeleitos no Congresso, na Assembleia Legislativa, na nossa Câmara Municipal. Aprenderam a arte da manipulação. Querem morrer nos cargos.

BEM, NÃO É FÁCIL ENTRAR NOS CARGOS ELETIVOS. DEPOIS QUE ENTRA, BASTA APRENDER A RECEITA DE COMO MANIPULAR OS SEUS DESPOLITIZADOS ELEITORES E GARANTIR A SUA PERMANÊNCIA

E como há eleitores despolitizados! São presas fáceis, nem conhecem os seus direitos de cidadãs e de cidadãos. Sentem-se importantes em terem seus nomes lembrados, ao receberem um cartão de Natal, de Feliz Aniversário, uma msg no celular.

Coitadas e coitados! Nem sabem que estão pagando essas postagens e que esse material está armazenado friamente no computador. O seu nome é um número. E só. Não percebem essa manipulação. Essa falta de politização do eleitor dá como resultado a reeleição dos sempre os mesmos no Poder Legislativo. A renovação é mínima e os poucos que entram quase sempre se submetem à sanha dos antigos. Custa para acontecer a autoafirmação.

No Poder Executivo, a Lei permite uma reeleição. Elegem-se e se reelegem. Para voltar a concorrerem aos cargos de Presidente, de Governador e de Prefeito, precisam cumprir quarentena de quatro anos. Quase sempre voltam a concorrer, já tem bagagem eleitoral.

Nos seus mandatos, a título de autopreservação, não criam lideranças novas com medo de que elas venham apagar os seus nomes. Usam os velhos ou nomes sem expressão ou facilmente manipulados ou até bobos da corte. Em ano eleitoral ficam mais evidentes essas “estratégias do mal”.

E NÓS ESPERAMOS QUE A CONVERSA DE HOJE SIRVA DE ALERTA, QUE PROVOQUE ANÁLISE E REFLEXÃO DOS POLÍTICOS MANIPULADORES, QUE SÓ ENXERGAM NÚMEROS EM CADA ELEITOR

Com as redes sociais, o instrumento do momento, não deixemos que nos manipulem, sejamos críticos, analistas, responsáveis pelo o que lemos e pelo o que produzimos. Não podemos nos restringir à telinha do celular ou do computador. Como as eleições de outubro são municipais, continua sendo um bom instrumento a participação na vida política do município, filiem-se a um Partido Político que corresponda à sua ideologia, concorram às eleições, trabalhem pela chapa do seu Partido, não alimentem a polarização, definam seus candidatos e votem neles, assumam a fidelidade eleitoral.

Que tal um Programa Eleitoral? Juntar um grupo de famílias, fazer um roteiro para conhecer de perto a Zona Urbana, os seus problemas e as suas potencialidades nas diversas áreas e fazer a mesma coisa com a Zona Rural. Vamos adquirir condições de elaborar propostas para um fecundo Programa de Governo Municipal. Nossa Bragança tem tudo para progredir. Só depende das nossas escolhas.

Aprendamos a conduzir e não só ser conduzido. É o dístico da nossa Bandeira Paulista. A vida do Brasil está nos municípios. E nós somos os “MUNÍCIPES”.