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Partidos nanicos

publicado em 22 de fevereiro de 2019 - Por Pedro Marcelo Galasso

Mais uma vez, o governo federal é refém de um partido político nanico.

Na verdade, siglas fisiológicas que cumprem o papel de tornar ainda mais confusa nossa estrutura partidária, se é que ela existe, e vez ou outra ascender ao papel de protagonista sem que tenha a menor estrutura política e histórica para tanto.

O partido político da vez é o PSL, sigla que apoiou o presidente Jair Bolsonaro e que se vê, agora, no centro de um furacão político que pode custar ao governo os votos no Congresso nacional e fazer ruir alguns projetos políticos e atrasar outros tantos. O Partido Social Liberal é acusado de utilizar laranjas para conseguir verbas partidárias e um possível desvio foi aviltado.

Como sempre, os nossos homens públicos não sabem de nada, não controlam nada, não se envolvem com nada. Então, quem toma conta dos partidos? Ao que parece, nesse e em outros casos, ninguém.

O fato do partido político do presidente Jair Bolsonaro, cuja campanha pregava a honestidade acima de tudo, ser alvo de um escândalo de corrupção se agrava após as declarações de seu filho vereador no Rio de Janeiro e da suposta ligação de seus filhos com milicianos naquela cidade. O escândalo quebra a unidade partidária que o elegeu e que lhe garantia sustentação no congresso.

A exoneração de Bebianno pode custar muito mais do que o governo pode pagar, ou seja, Bebianno é o preferido para as articulações segundo declarações, por exemplo, de Maia, presidente da Câmara de Deputados.

No entanto, a questão central, anterior aos escândalos, permanece. Como um país pode se ver refém de partidos tão nanicos e tão fisiológicos?

As chamadas legendas de aluguel, que nada mais são que esses pequenos partidos, se proliferaram como uma peste que mata o ideal de representação popular e leva a democracia para caminhos tortuosos.

Caminhos tortuosos que nos encaminham para a troca de favores políticos, loteamento de ministérios e secretarias do governo, para nomeações espúrias e meramente políticas, ou seja, o fisiologismo marca e se acentua quando partidos como esses sobem ao poder. O último caso foi visto com a eleição de Fernando Collor com o PRONA.

É interessante notar que o nanismo das siglas não esconde a voracidade na disputa por cargos e indicações, nem oculta o fato das siglas conseguirem se defender muito bem, haja visto que o ministro a ser exonerado diz ter munição suficiente para alvejar figuras importantes do governo, dentre eles, o próprio presidente.

Bravatas, falácias, ameaças e trocas de farpas marcam nosso cenário político e as questões pertinentes como as reformas impostas ficam em segundo plano, dentre elas a reforma eleitoral que deveria conter elementos para rever as inscrições e os registros partidários evitando que mais desses partidos que não representam nada além de interesses de pequenos grupos não tenham tanta força e expressão, diminuindo o fisiologismo que nos consome a muito tempo.

É, parece que a frase sobre a honestidade do presidente e do seu partido político, bem como de seus escolhidos deve, urgentemente, ser revista. E, para terminar, sem nenhuma surpresa o presidente escolheu para substituir Bebianno outro ministro militar. De fato, o Brasil não é para amadores.

Pedro Marcelo Galasso – cientista político, professor e escritor. E-mail: p.m.galasso@gmail.com