Colunistas

Pai ausente faz falta

publicado em 27 de julho de 2019 - Por Antônio Carlos de Almeida

Está chegando o Dia dos Pais. Data importante para filhos e pais de todas as idades. Não tem a intensidade emocional e comercial do Dia das Mães, mas também é marcante para pais que estão próximos dos filhos e é traumático para pais e filhos que se encontram separados no tempo e no espaço, independentemente de qual seja o motivo desse distanciamento.

São frequentes reportagens sobre filhos que procuram durante anos o pai que não conhecem ou que conheceram na infância e, depois, não se encontraram mais. Nessas reportagens, algumas muito dramáticas, é fácil observar que filhos procuram durante anos pelo genitor. Revelam enorme vazio e acentuada angústia. Querem sabem se estão vivos, desejam ardentemente um encontro e um abraço. Quando afinal se encontram, ficam quase sem ação, ao invés de contemplar a face paterna, fecham os olhos. É necessário grande esforço para acreditar naquilo que está acontecendo. Sempre fico imaginando as conversas que ocorrem depois desse encontro espetacular. É possível que haja grande esforço para recuperar anos perdidos sem a convivência paterna e filial.

Com menos frequência, também ocorrem reportagens sobre pais que perderam o contato com familiares. Isso é muito comum entre moradores de rua e andarilhos. Não poucos tiveram alguma decepção importante tais como briga em família, separação, desemprego ou falência, afastando-se por esses motivos dos seus. Falam da grande vontade de voltar para casa, de rever filhos, no entanto, temem não serem aceitos. Filhos sofrem de um lado essa ausência, pais, de outro lado.

Como já disse, essas ausências são dramáticas. Há, no entanto, outro tipo de afastamento. É fácil encontrar pais que trabalham muito, por necessidade ou por ganância, que acabam não tendo tempo para filhos. É clássica aquela anedota do filho de um médico que trabalhava muito a ponto de não ter tempo de brincar com seu filho. Este se ressentia muito da ausência paterna. Certa vez perguntou ao pai: “Quanto o senhor cobra por uma consulta?” Começou a poupar e quando ajuntou o valor da consulta foi ao consultório paterno: “Pai, esta hora é toda minha. Vamos brincar um pouco”. É uma ausência muito frequente nos dias atuais. Seja por excesso de trabalho, de diversão, de atividades esportivas, de reuniões com amigos, de participação em muitas associações e, inclusive, em igrejas.

Durante o fatídico acidente com jogadores da Chapecoense, o prefeito de Chapecó se salvou porque não embarcou como fazia habitualmente quando o time viajava para jogos importantes. Declarou “não fui porque, com agenda muito intensa de prefeito, tenho um acordo com meus familiares de ficar com eles durante um domingo inteiro por mês. Aquele era o domingo de ficar em casa”.

Também é verdade que muitos filhos, com vida agitada, dão pouco tempo ao velho pai, que espera em vão durante horas, dias e meses. Há sempre uma nova viagem, um novo evento, uma nova reunião com os amigos. Às vezes, o peso da idade, alguma doença ou parca aposentadoria levam pais a esperar pequena ajuda de filhos bem sucedidos que nunca chega.

“O sonho de um pai é ver os sonhos dos filhos realizados. O sonho dos filhos é poder ter o pai ao lado ao realizar seus sonhos” (Frases do Bem). O encontro e a convivência intensa de pais e filhos dependem de ambos. É salutar para ambos e para todos que estão ao redor.