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Os sete saberes necessários à educação do futuro e o protagonismo

publicado em 30 de outubro de 2018 - Por Ambiente em Pauta

Mais incertezas do que certezas estão no caminho de educadores, pais e pessoas ligadas aos desafios da formação cidadã (e profissional) em um futuro muito próximo.

Na última semana, teve início o curso de Protagonismo Socioambiental Juvenil, oferecido a partir de uma parceria entre a FESB e o Coletivo Socioambiental Bragança Mais. A proposta busca oferecer um espaço ativo para construção de saberes com protagonismo baseado nas demandas de uma formação educacional mais ativa.

Para melhor compreender as bases e demandas da educação atual, nada melhor do que explorar “Os sete saberes necessários à educação do futuro”, propostos pelo antropólogo, sociólogo e filósofo Edgar Morin. Nesta obra, que não se restringe a um manual porque neste caso iria contra a própria forma livre e dinâmica de pensar deste autor, são propostos sete aspectos chaves para a educação do futuro.

O primeiro explora o fato de não ensinarmos que o conhecimento é uma leitura da realidade e não a realidade em si. O não conhecimento disto leva à camuflagem de alguns discursos sobre a realidade como se fossem a verdade absoluta, e isso seria muito diferente do que deve ser o conhecimento.

No segundo aspecto, o conhecimento precisa ser pertinente, ou seja, precisa ser sistematicamente contextualizado, não mutilado, associado aos contextos em que são pertencentes, como a realidade global, por exemplo. No terceiro saber, a identidade humana é trazida para que possamos pensar no quanto somos diferentes como indivíduos, mas que carregamos traços como espécie. No quarto saber, Edgar Morin aponta a necessidade da compreensão humana, com um sentido mais profundo.

Primeiro, porque para compreender é necessário colocar junto todos os elementos de explicação e não somente um! E, além disto, compreender exige empatia e identificação, o que vai no caminho contrário do individualismo e egocentrismo, marcas contemporâneas da sociedade. Compreender, antes de mais nada, demanda compreensão de si mesmo. A incerteza aparece como quinto saber necessário para a educação do futuro: buscamos ensinar certezas, mas o conhecimento avança com base nas incertezas.

O surgimento do inesperado em todos os domínios deve fazer parte dos saberes de domínio necessários ao futuro, claro! No sexto e sétimos saberes propostos, Edgar Morin explora a condição planetária na era da globalização, ou seja, a percepção de um destino comum a toda a espécie humana e o aspecto que ele denomina de antropo-ético, que seria a busca entre autonomia individual associada à participação social, ou seja, do campo as responsabilidades sociais. A proposta de Edgar Morin sobre os saberes necessários à educação do futuro continua altamente pertinente. A sociedade multiplica grandes questões a serem resolvidas no futuro próximo e não temos fórmulas.

A Inteligência Artificial é uma realidade que vai avançar em diferentes temporalidades pelos países e regiões e inevitavelmente mudará radicalmente a organização/disponibilidade no mundo do trabalho e da sociedade.

O que divide um futuro de rupturas e ações bárbaras que nos farão destruir uns aos outros, para um futuro coletivo de sucesso para a espécie humana, perpassa compreensão, empatia, colaboração, conhecimento de si e dos outros, compreender incertezas e sermos protagonistas de nossos próprios projetos de vida, nos tornando um pouquinho melhores a cada punhado de tempo e experiências que vivermos.

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Patrícia Martinelli Geógrafa, colaboradora do Coletivo Socioambiental Bragança Mais.