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Oração para o ano 21 do século 21

publicado em 9 de janeiro de 2021 - Por Antônio Carlos de Almeida

Parte daqueles que viveram o século XX tinha a expectativa de que o próximo século seria um tempo brilhante, de grandes avanços em todos os aspectos da vida. É comum a gente imaginar que o progresso seja uma ascensão constante, linear, sempre na direção do mais alto e do melhor. Historicamente, não é assim.

Ocorrem tempos de paz e de guerra, épocas de fartura e de penúria. A civilização ora avança, ora regride. Apesar de todos os avanços científicos e tecnológicos, alguns problemas fundamentais da população como um todo continuam insolúveis. O nosso atual modo de vida, com tendência de consumismo exagerado, causa exaustão do ar, das águas, da vegetação e do solo. Parece ser que algumas crises como a que vivemos atualmente apontam para a necessidade de maior equilíbrio no uso da natureza, no âmbito da convivência humana e de nossa sintonia intrapessoal.

Este início do ano 21 do século XXI é bem especial no sentido de experimentarmos intensamente os limites da trajetória humana sobre a terra. Não é um tempo de colheita. É época de uma difícil travessia. Caminhamos sem a clareza de que chegaremos inteiros às metas desejadas.

Acontecimentos sequer imaginados há um ano chegam-nos a cada dia. Há alguns meses, Covid era apenas uma notícia distante, agora cada vez mais alcança pessoas que nos são próximas. A violência só faz crescer o número de vítimas fatais. Apesar de todos os avanços culturais, vários tipos de discriminação racial e social fazem vítimas diariamente.

Quando observamos vários tipos sofríveis de governantes mundo afora, tendemos a pensar que é quase milagre a relativa paz ainda existente no contexto das relações internacionais. No âmbito pessoal e familiar, muitas e variadas são as apreensões presentes no dia a dia de grande parte da população.

Surpreendeu-me nestes dias uma gravação feita por Fábio Teruel, no Youtube. Ele parte de uma passagem bíblica: “Então, algumas pessoas lhe apresentaram um homem que era surdo e mal podia falar, e lhe suplicaram que impusesse sua mão sobre ele. Jesus conduziu o homem, a sós, para longe da multidão, e colocou os dedos nas orelhas dele.

Em seguida, cuspiu e tocou na língua daquele homem. Depois, levantando os olhos para o céu e, com um profundo suspiro, ordenou: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!”. Imediatamente, os ouvidos do homem se abriram, sua língua desprendeu-se e ele começou a falar fluentemente” (Evangelho de Marcos 7, 32-35).

Dois detalhes são fundamentais neste texto. Primeiro a circunstância de Jesus ter se afastado da multidão para ficar a sós com o surdo mudo. Parece ser que Ele quer nos mostrar que os nossos ouvidos estão tão saturados de tantas coisas que ouvimos, os nossos olhos estão saturados de tantas coisas que vemos, por isso precisamos conversar à parte com o Senhor, assim como Ele conversou com aquele homem. Biblicamente, o silêncio de um jardim, de uma montanha, de uma igreja ou do nosso quarto é um lugar apropriado para o tão necessário colóquio com Deus.
O segundo detalhe está na palavra “Efatá”.

Precisamos nos abrir para o Senhor, para Ele mesmo nos dizer “Efatá”, e assim abrir os nossos ouvidos, nossos olhos. Pode estar ocorrendo que nosso coração, de tanto sofrer, esteja ficando calejado, tornando-se insensível a Deus e aos irmãos. Que neste início de 2021 o EFATÁ de Deus esteja presente e atuante em todas as áreas de nossa vida, principalmente naquelas que estejam mais impactadas pela atual pandemia.

Podemos orar assim: “Apesar das dificuldades atuais, eu recebo a benção de Deus para a minha vida afetiva, para a minha saúde, para a situação profissional e financeira, para meus sonhos e projetos. Portas e caminhos se abrirão diante de mim. Este será um ano de aprendizado e de importantes realizações.”