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O melindre na casa espírita

publicado em 12 de setembro de 2019 - Por Silney de Souza

Inegável que parte realmente significativa, para não dizer a totalidade, dos “tarefeiros” das Casas Espíritas buscam realizar as suas atividades imbuídos das melhores intenções possíveis.

Dedicando parte considerável das horas livres que poderiam estar sendo destinadas ao lazer e/ou ao convívio familiar dão uma demonstração clara de que um dos dois pilares de sustentação dos nossos males, qual seja o egoísmo, está bastante enfraquecido, controlado, dominado.

No entanto, como nos ensinou o Mestre Jesus, orai e vigiai e como nos ensinou o Espírito da Verdade em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” amai-vos e instruí-vos.

Mas se o pilar do “egoísmo” está controlado, demonstrando sinais inquestionáveis de fraqueza, o mesmo, nem sempre ocorre com o segundo pilar de nossos males, qual seja o “orgulho”. E é exatamente aí que o Pai em sua infinita sabedoria permite, para o nosso próprio aprendizado que soframos a influência do mal.

Infelizmente, não são poucos os relatos de tarefeiros que sofrem ação direta dos nossos irmãos desencarnados que ainda estão no mal, pelo simples fato de dedicarem-se a uma Casa Espírita e à tarefa redentora do bem. Qual o motivo? Tentativa de barrar o progresso do bem, que insiste em auxiliar, em socorrer, em amparar a todos os irmãos, indistintamente.

Ele começa devagar, sorrateiro e vai pouco a pouco tentando corroer, minar os nossos ideais de auxílio ao próximo das formas mais simples. Quais?

Analisando cuidadosamente os nossos pensamentos, as nossas fraquezas, as brechas que nós mesmos abrimos, vamos sendo lenta e gradualmente atingidos por esse mal, sem nos darmos conta.

Ele se manifesta das mais diversas formas. Na inveja de alguém que por alguma razão acreditamos desenvolver alguma posição de “destaque” na Casa Espírita, no melindre por comentários e ações que acabamos por “levar a mal” de algum(ns) dos nossos irmão(s) tarefeiro(s) da Casa, no anátema que nos permitimos lançar sobre alguém, na desqualificação que praticamos contra algum dos nossos irmãos ao se manifestar ou expressar suas idéias, nos maus pensamentos, etc. e tal como um câncer vai realizando a sua metástase em nossa alma até atingir todos os seus “órgãos” de maneira quase irreversível e incurável…

Resultado? Intrigas, desânimo, mal entendidos, discussões, rompimentos, separações, conflitos, saídas ou mudanças da Casa Espírita onde antes era o nosso paraíso na terra, mas que agora só conseguimos enxergar o mal e as dificuldades.

Mas se tudo é oportunidade de aprendizado e se o Pai não desampara nenhum dos seus filhos, os nossos irmãos do Plano Espiritual, mensageiros do bem, estão ao nosso lado, nos intuindo, nos alertando, nos demonstrando e até mesmo dizendo: “cuidado, vigiem os pensamentos que não são de vocês…”

Cansados de sofrer, passamos de tarefeiros a assistidos, recebemos o amparo e o auxilio do Plano Maior e extirpamos o câncer por meio do esforço pessoal e intransferível de buscar a nossa reforma moral, até a próxima armadilha que caberá simplesmente a nós mesmos decidirmos se vamos querer ou não cair.

Orai e vigiai. Amai-vos e instruí-vos!

Ou como dizem os escoteiros “sempre alerta”!

Reflitamos.