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O lixo nosso de cada dia

publicado em 28 de setembro de 2019 - Por Antônio Carlos de Almeida

É muito grande a quantidade de lixo que cada um de nós produz diariamente. Quando somamos casca de frutas, verduras que passam do ponto de consumo, restos de comida no prato, alimentos preparados que não são consumidos, guardanapos, papel higiênico, roupas e calçados usados, sacolas de supermercado, belas bolsas de lojas, garrafas pet e vidro descartável, chega-se facilmente a um volume grande de lixo.

Tudo isso é retirado da natureza. Grande parte, sem reciclagem, volta para o meio ambiente. Ou seja, para manter nosso atual modo de vida e de consumo, penalizamos duplamente a natureza, seu subsolo, seus rios, sua superfície. Não é difícil observar esse fenômeno a olho nu.

Basta ver um rio em sua cabeceira, seu curso ao longo da cidade e sua saída do outro lado da cidade. Não parece ser o mesmo rio. Limpo na cabeceira, com sujeira nas margens e, praticamente, morto depois de percorrer alguns quilômetros.

Estamos todos diante de duplo desafio: consumir com responsabilidade ecológica e cuidar bem do destino do próprio lixo. Precisamos intensificar nossa contribuição na separação do lixo que produzimos e na sua destinação final. Nas lixeiras comuns e nas calçadas vemos muito lixo mal embalado, oferecendo dificuldades e riscos ao importante trabalho dos garis.

Precisamos avançar muito na reciclagem do lixo que produzimos diariamente.
Na atual crise de emprego, muita gente, empresas pequenas e grandes conseguem remuneração financeira na coleta, separação e destinação de resíduos domésticos e industriais. Ameniza o problema do lixo em nossas cidades, mas não substituem os cuidados que devemos observar no dia a dia.

Ainda é muito comum, principalmente em bairros periféricos, descartar fogões, geladeiras, sofás e entulho em qualquer esquina, na beira de estradas e em terrenos baldios. Mas não é só na periferia que ocorre esse descarte ilegal e grosseiro. Há pouco tempo, nas imediações de um condomínio bem cuidado, vi duas pessoas descarregando uma valiosa caminhonete. Pareceu-me entulho de obra. Eram galhos e folhas resultantes de uma jardinagem. Limpou sua propriedade, mas sujou a do vizinho.

É impressionante a quantidade de resíduos na beira de nossas estradas. As concessionárias de rodovias, diariamente, recolhem toneladas de material jogado pela janela de automóveis e de parte de cargas mal acondicionadas em caminhões. Não é agradável manter material descartável dentro do veículo. No entanto, jogar na rodovia é um tremendo desrespeito para com a natureza, outros usuários e trabalhadores que fazem a coleta.

Vejo semanalmente uma cena inacreditável: na região urbana de Bragança existe uma bica de água visitada diariamente por alguns coletores de papelão para reciclagem. Aproximam-se da bica com o caminhão carregado e molham toda a carga. Na melhor das hipóteses, limpa o papelão coletado para reciclagem e suja o rio. Na pior, estamos diante de uma falcatrua: molhar para pesar e faturar um pouco mais.

Temos todos o enorme desafio de diminuir o consumo, melhorar a destinação dos resíduos e recuperar a harmonia das pessoas entre si e, destas, com a própria natureza. Pequenas atitudes diárias nos conduzem nessa direção. São inadiáveis.