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O ano virou arco–íris: cada mês tem uma cor

publicado em 5 de outubro de 2019 - Por Antônio Carlos de Almeida

Nos últimos anos surgiram várias campanhas de sensibilização em relação a algum tipo de doença ou risco social e em favor de cuidados da saúde. Janeiro branco aponta para a necessidade do cuidado da saúde mental; fevereiro roxo conscientiza quanto ao lúpus, o mal de Alzheimer e à fibromialgia – no mesmo mês, a cor laranja conscientiza sobre a leucemia.

Março azul escuro trata do câncer colorretal; por sua vez o abril azul conscientiza sobre o autismo. Maio amarelo aponta para as terríveis consequências dos acidentes de trânsito. O vermelho relativo a junho estimula a doação de sangue; enquanto julho amarelo aponta para os cuidados relativos ao câncer ósseo e também às hepatites virais.

Não para aí, há cor e campanha para cada mês até o final do ano. Agosto dourado estimula o aleitamento materno. A saúde do coração está ligada à cor vermelha no mês de setembro; o período também destaca ações sobre a doação de órgãos e a prevenção do câncer no intestino. Para estas duas campanhas, o mês se pinta de verde.

Outubro rosa é o mais divulgado e conhecido em todo o mundo, foi uma das primeiras campanhas criadas. Iniciou nos Estados Unidos na década de 1990 e é dedicado à conscientização sobre o câncer de mama.

O novembro azul ganha também um logotipo em formado de bigode para conscientizar as pessoas sobre a prevenção e o combate ao câncer de próstata. Também faz referência aos cuidados da diabetes. Dezembro é contemplado com duas cores. Laranja serve para conscientizar sobre o câncer de pele; vermelho ressalta a necessidade de prevenir a AIDS.

Na origem dessas campanhas, na maioria das vezes, estão pessoas que foram surpreendidas por algum desses problemas em suas famílias ou em pessoas próximas. Tendemos a imaginar que problemas graves de saúde são raros, que só ocorrem longe de casa. Aqueles que se defrontam com algum problema grave de saúde, sofrem impacto inicial, verdadeiro choque.

Logo percebem que não são suficientemente compreendidos por parentes e amigos; na sequência, inicia longa peregrinação em busca de tratamento especializado. Percebem então que estão muito sozinhos nessa empreitada. Alguns passam então a procurar pessoas que passam por situação semelhante, para se consolar, para juntar forças, para buscar soluções, para cobrar mais eficiência dos serviços públicos de saúde.

São campanhas publicitárias, por isso recorrem a cores, para motivar e mobilizar com mais intensidade, despertando atitudes novas e ações efetivas. Associações em favor de várias moléstias, no âmbito local, estadual ou nacional, conseguiram leis que beneficiam crianças, adultos e idosos portadores de alguma moléstia aparentemente rara, mas que afetam silenciosamente a muitas pessoas, consequentemente a muitas famílias.

Essas associações tendem a cobrar eficiência de serviços públicos. Estes por sua vez se associam a essas campanhas mensais. É uma forma de informar sobre serviços disponíveis, de estimular doentes a procurarem e manterem tratamento. E de deixarem claro a importância de atenção preventiva. Muita gente que atua nessas associações, de forma altruísta, trabalham gratuitamente por si, por pessoas de sua família e por muitos outros enfermos que sequer conhecem.

Apesar de todo avanço nas diversas áreas da saúde, ainda existem doenças que causam grande dor sem razoáveis perspectivas de alívio. Dependem de apoio mútuo, da calorosa presença de amigos e de pessoas que conhecendo as mesmas dificuldades possam encurtar caminhos de tratamento. Costumamos contemplar arco-íris que se apresentam diante de nós, essas cores todas durante os meses do ano também podem ser apreciados com esperança de dias melhores para todos.