Colunistas

Novelas Impactantes

publicado em 22 de setembro de 2018 - Por Pastor Jessé

Novela é prato diário da dieta da família brasileira, consequentemente, ela tem formatado os cidadãos. Uma pesquisa constatou que, depois de décadas de novela, indivíduos e sociedade foram transformados. A questão é que tipo de mudança tomou lugar. Ou ficou melhor, ou ficou pior.

A pesquisa foi executada pelo economista peruano Alberto Chong, pesquisador do Banco Interamericano de Desenvolvimento e adepto do politicamente correto. Isso foi há cerca de 10 anos. Como as novelas não mudaram a mensagem que transmitem, mas a intensificaram, então, o que se concluiu em termos de impacto anos atrás, agora está mais solidificado. Em entrevista, Chong comentou os dados que a pesquisa dele revelou.

Chong afirma que “a novela é, de longe, a maior atração da TV e é veiculada pela Rede Globo, que tem mantido um domínio quase absoluto do setor por cerca de três décadas. “A Globo, muito imitada pelas concorrentes, firmou as novelas como cardápio comum do Brasil a partir do governo militar, formando um apartheid cultural. O governo militar se preocupou em combater os terroristas e guerrilheiros do velho marxismo que objetivavam implantar a “ditadura do proletariado”. O alvo dos esquerdistas era puramente transformação econômica. Buscavam o fim da economia capitalista e de livre mercado, para impor a forma comunista.

Entretanto, enquanto isso, já aportava no Brasil o novo marxismo, também conhecido como neomarxismo e marxismo cultural. Essa ideologia foi disseminada entre os produtores de TV, especialmente os de novelas. Alguns, como Dias Gomes, tornou-se marxista convicto e declarado, outros, ainda que não confessando a ideologia, foram influenciados por ela. A ideologia vem dos pensamentos de Gramsci, mas especialmente dos escritores da denominada Escola de Frankfurt. O governo militar combatia o marxismo ortodoxo que afrontava o regime agressivamente visando mudar o sistema econômico, enquanto isso, o neomarxismo se infiltrava e agia livre no entretenimento televisivo.

Ao invés de luta exclusiva contra o sistema econômico do capitalismo e livre mercado, os neomarxistas propagam que a luta deve ser contra a cultura, ou, valores morais vigentes. Eles entendem que, destruindo os valores morais vigentes e tradicionais, destroem o capitalismo. A proposta ecoou no Brasil. “Durante o período da ditadura, os autores já viam nas novelas a oportunidade de lutar contra o sistema, apresentando novas ideias e valores”, pondera Chong. E ele adiciona que essa luta envolve também a “crítica à religião” – entenda-se: cristianismo.

Os adeptos dessa ideologia se infiltraram nos meios de comunicação e universidades. Essa presença neomarxista, iniciada durante o governo militar, dominou a cultura quando a democracia plena foi reimplantada no Brasil. Atualmente a ideologia domina a universidade, especialmente a pública, bem como a mídia e jornalismo. Ainda que nem todos confessem ser adeptos da ideologia, o fato é que a visão deles revela que foram formatados pela ideologia.
Entre excitações e choros dos dramalhões de novela, o povo foi se tornando libertino. E um personagem social, segundo Chong, foi alvo peculiar e chave nessa estratégia: a mulher. O sucesso do objetivo foi alcançado devido que o publico feminino é o que mais acompanha as novelas.

O alvo era mudar a mulher. A pesquisa de Chong revela que, nas novelas, “62% das principais personagens femininas não tinham filhos e 26% eram infiéis a seus parceiros”.

Chong relata que, quanto ao divórcio, “estima-se que as taxas aumentaram de 3,3 em cada cem casamentos em 1984, para 17,7 em 2002, mais do que em qualquer outro país latino-americano”. E ele adiciona: “Percebemos que, quando a protagonista de uma novela era divorciada ou não era casada, a taxa de divórcio aumentava, em média, 0,1 ponto percentual”. E, a propalada “emancipação feminina”, é resultado aplaudido por Chong: “A busca do amor e do prazer pelas personagens femininas também é uma constante em qualquer trama – mesmo que ela tenha de cometer adultério, o que também é comum nas histórias”.

Um ícone da tragédia é a novela “Malhação”. O público alvo são os adolescentes, muito vulneráveis e ainda em formação. O titulo “Malhação” calha bem para essa novela. Nela o ser humano é malhado e malhado, sobrando um jovem moral e existencialmente destroçado. Em nome de um pretenso objetivo de provocar um debate sobre assuntos desafiadores, na verdade esse programa doutrina, sutilmente, o jovem no caminho da libertinagem e relativismo moral. E não poderia deixar de doutrinar quanto ao homossexualismo e transgênero.

Depois de anos de novela, e outros meios afins, sobra uma sociedade moralmente confusa e sem valores objetivos, entregue aos valores subjetivos num relativismo moral. Assim surge espaço e dominam o egocentrismo e hedonismo, especialmente na dimensão sexual, deformando o indivíduo, família e sociedade.

“Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz à morte”, adverte a Palavra de Deus (Pv 14:12). Quem puder, salve a si mesmo, e sua família, preservando-se das novelas. O Senhor Jesus Cristo alertou: “Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que levam à perdição, e muitos são os que entram por esse caminho” (Mt 7:13-14).