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Novas realizações se fazem necessárias

publicado em 7 de dezembro de 2019 - Por Antônio Carlos de Almeida

Trago hoje um pensamento atribuído ao físico e matemático Albert Einstein (1879-1955): “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Fazer tentativas ainda não tentadas, buscar novos caminhos e, até mesmo, reinventar-se podem ser a saída para diferentes tipos de crise.

Muitas são as histórias de pessoas, empresas e países que saíram renovadas ou cresceram depois de superar alguma crise importante. A Europa se refez depois das duas grandes guerras do século XX. O Japão desenvolveu forte dinâmica de crescimento depois de sofrer o impacto das bombas atômicas.

Na atual literatura empresarial brasileira, é muito comum o relato da origem e crescimento da rede de restaurantes Habib’s:  Seu fundador, Antonio Saraiva, fez ensino médio e cursinho estudando de manhã e à noite, alimentando o sonho de se formar em Medicina.

Depois de várias tentativas, ingressou na Medicina da Santa Casa de São Paulo. Mas não ficou lá durante muito tempo.  Seu pai, um imigrante português, foi assassinado durante um assalto apenas 19 dias após comprar uma padaria em São Paulo. Como irmão mais velho, Saraiva decidiu trancar a faculdade e cuidar da padaria, para o sustento da mãe e irmãos.

A falta de dinheiro e de funcionários fez com que ele precisasse literalmente colocar a mão na massa, sendo um dos responsáveis pelos pães e outros produtos da padaria. Depois de pouco mais de um ano, vendeu a padaria e voltou para o curso de medicina. No entanto, logo em seguida ele voltou ao comércio vendendo pastéis. O negócio deu tão certo que rapidamente foi vendido com muito sucesso.

Em 1988 nasceu o Habib´s, após Saraiva dar uma oportunidade de trabalho a um senhor de 70 anos, que pediu emprego e ensinou a receita dos pratos árabes. Hoje a rede emprega mais de 20mil funcionários. O empresário Saraiva tem um lema que traduz bem essa trajetória: “Não desista. É preciso caminhar”.

Durante muitos séculos, e isso chegou até bem perto de nós, os indivíduos e as famílias faziam as mesmas coisas ao longo da vida. Até 1960, nos sítios e nas fazendas, tudo era feito do jeito de sempre. Na dúvida, perguntava-se aos mais velhos e estes logo diziam como e quando as coisas deviam ser feitas, seja no que diz respeito às plantações ou no cuidado dos animais. Até bem perto de hoje, os empregos eram para a vida toda, o primeiro emprego muitas vezes também era o da aposentadoria.

Hoje já não é mais assim. Os ciclos são cada vez menores. Na vida pessoal, conjugal, familiar, profissional, empresarial e cidadã, conquistas importantes deixam de existir, novas realizações se fazem necessárias. Nesses momentos, pode ser necessário escolher novos caminhos, desenvolver novas habilidades e evidenciar um novo posicionamento.

As carroças foram substituídas por automóveis, o orelhão que dependia da ficha que caía foi substituído pelo celular, o armazém da esquina pelo supermercado, o ensino presencial vai sendo substituído pelo ensino a distância, a pequena loja de rua pelos magazines ou shoppings, a migração do nordeste ou de Bragança para São Paulo, hoje, é para Estados Unidos, Portugal, Japão ou Austrália. A arte reside na decisão de fazer diferente sem perder as raízes e o sentido maior da vida.

Virada de ano é um tempo propício para intensificar tudo aquilo que vem dando certo. Também é bom para uma retomada de propósitos e projetos que foram ficando no meio do caminho. É um tempo adequado para implementar sonhos acalentados há muito tempo e que ainda não saíram do papel.

A verdadeira renovação está dentro de nós, mas as circunstâncias e as celebrações despertam em nós essa possibilidade de fazer mais e melhor. Primeiro passo decisivo é identificar aquilo que desejamos, estabelecer objetivamente aquilo que necessitamos, elaborar um plano de ação e, sem perda de tempo, dar os primeiros passos. Fazer tentativas ainda não tentadas, buscar novos caminhos e, até mesmo, reinventar-se, podem ser a saída para diferentes tipos de crise.