Colunistas

Nosso papel frente às mudanças do mundo

publicado em 22 de outubro de 2019 - Por Ambiente em Pauta

Quem somos nós? De onde viemos e o que fazemos e seguimos fazendo para termos sido quem fomos e sermos quem somos agora? O que significa para nós, os humanos, seres da Natureza e, ao mesmo tempo, seres que criaram um mundo de Cultura para viverem nele e conviverem com a Natureza?

Teremos chegado a um momento em que podemos decidir se vamos desaparecer ou continuar? Se decidirmos se vamos recriar a vida ou reverdecer o Mundo onde vivemos, ou se vamos simplesmente exaurir seus últimos recursos naturais e extinguir a possibilidade de permanência na Biofera dos outros seres da Vida que compartem conosco a Terra.

Frente a essas questões tão atuais, retomamos um texto publicado aqui em nossa coluna em 2015, para nova reflexão.

Qual a minha e qual a sua parte de partilha, de presença, e de solidária co-responsabilidade em tudo que acontece? Estas são indagações que o livro de Carlos Rodrigues Brandão “Minha Casa, O Mundo” nos traz, e que indicamos a todos vocês que se interessam e buscam informações sobre o assunto. É um livro leve, prazeroso de ler e principalmente que nos ajuda a refletirmos sobre nosso papel nesse mundo cada vez mais individualizado e competitivo.

Sim, é possível construir outro mundo, humano, solidário e fraterno. Esse novo mundo há de ser obra de cada um de nós, individual e coletivamente. Com base nestas “duas verdades inabaláveis”, o cientista social, antropólogo e psicólogo Carlos Rodrigues Brandão nos encanta a todos com seus livros e conferências sobre “a sociedade que queremos”.

Acerca do papel da escola, critica a ênfase que se dá à formação tecnicista em detrimento do conhecimento e, especialmente, da convivência. “Somos felizes com o outro”. Carlos Brandão é convicto da necessidade de substituirmos a sociedade do consumo, do culto ao sucesso, da competição, por outra que valorize projetos de colaboração e o amor.

Para o antropólogo, a felicidade está na maneira simples de levarmos a vida: é preciso criar uma vida sustentada estritamente pelo essencial, uma simplicidade voluntária e transformar isso em vida interior, em saber. Essa vida de qualidade estaria na redescoberta do diálogo com o outro, na experiência da economia solidária, tendo claro que a primeira troca dessa economia é a troca de afeto, de amor. E não a economia tradicional, baseada exclusivamente na necessidade de se aferir lucro.

Essa nova era seria pautada não apenas pela garantia de direitos formais/legais, mas em nosso papel enquanto sujeitos de poder. Esse poder originado em cada um de nós – muito maior do que o de governos que recebem da população outorgas provisórias – estaria concretizado em nossa capacidade de união em torno de um objetivo comum, a construção de uma vida mais solidária.

Os ensinamentos de Carlos Rodrigues Brandão para nós são um alento, pois demonstram que não estamos sozinhos e que a cada dia mais pessoas são afetadas pela busca do conhecimento que nos garantirá a sobrevivência da vida no Planeta Terra.