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Nossa homenagem a cada pai de nossa convivência

publicado em 10 de agosto de 2019 - Por Antônio Carlos de Almeida

Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem (Mateus 7,11)

Queremos hoje homenagear os pais, os que estão perto e os que estão longe, os que continuam lutando e aqueles que se sentem esmorecendo, os que conseguem olhar diretamente nos olhos dos seus filhos e os que têm apenas uma vaga lembrança da sua imagem, os que são amorosos e os que por algum infortúnio causaram ou provocam alguma tristeza no coração de filhos.

A semente lançada ao chão, antes morre, para depois gerar novas plantas, flores viçosas e frutos saborosos. Assim são os pais. Inclusive aqueles que foram apenas progenitores, que não tiveram coragem ou força para assumir, criar e acompanhar. Deram de si, do seu potencial, transmitiram parte do seu DNA, imprimiram características bem específicas, transmitiram enormes potenciais. Nesta homenagem, reconhecemos essa valiosa transmissão de vida.

Não poucos jovens, adultos, inclusive idosos, mudaram sua vida pessoal para dar de si quando surpreendidos pela geração de um filho, programado ou não, para que o mesmo pudesse ter crescimento saudável, orientação adequada, proteção necessária e todos os elementos necessários para uma vida feliz. Nossa homenagem por conseguirem a exemplo de Deus Pai dar boas coisas aos seus rebentos.

Existem pais entre nós que, ao contrário da sequência natural, viram filhos partirem antes por doença, acidente ou violência. Tal acontecimento é sempre muito doloroso, dilacera o coração, frequenta o campo emocional dia e noite. Circunstâncias do passamento, conversas havidas, os carinhos trocados permanecem atuais, intensos, vivos. Casos mais acentuados levam a um desânimo permanente. A superação, quando possível, leva tempo, até que surja a verdadeira compreensão de partida tão prematura. Neste caso, mais do que nossa homenagem, nossa prece de apoio por uma espiritualidade paterna ainda mais elevada.

Ser pai nunca foi fácil. Desafios estão sempre presentes: compreender e ser compreendido, dar apoio e orientação, estar sempre disponível, inclusive em momentos de cansaço e sono. A maioria dos pais não tem a certeza de levar para casa o sustento necessário. Apesar da grande produtividade atual de alimentos e de tecnologia avançada para a produção de bens necessários à vida, pais se angustiam com trabalho precário, com desemprego duradouro, com baixa renda, com doenças e outras limitações físicas e emocionais para o trabalho. Para pais nesta situação é consolo a promessa de Jesus em Mateus 7,11: ‘Vosso Pai que está nos céus lhes dará os bens que lhe pedirem’.

Nossa homenagem aos pais que conseguem acompanhar o dia a dia de seus filhos, que alcançam recursos para o seu crescimento sadio, que trata bem a cada filho conforme suas necessidades pessoais, que são hábeis na difícil arte da comunicação, que conseguem brincar, repreender e orientar, que reservam aos filhos o tempo necessário para a convivência, que conseguem reunir as crianças ao redor da mesa, que colocam TV, internet, futebol e roda de amigos em plano secundário e que acenam para a possibilidade da intimidade com o próprio Deus. São sábios em suas escolhas e fazem enorme bem para a própria felicidade e a dos seus.

Neste 11 de agosto, nossa homenagem ao seu e ao meu pai. Nosso velho pai. Somos suas qualidades e suas limitações. Aonde quer que estejamos, perto ou longe, sua voz, sua energia, seu humor, sua orientação, sua dedicação, suas histórias por mais repetidas que sejam e suas repreensões nos acompanham e dão direção e sentido ao nosso viver. Seu exemplo é um convite para que nós, suas filhas e seus filhos, sejamos pessoas ainda melhores do que ele próprio, na medida em que todo filho sabe quanto significa tudo o que emana do coração paterno.

Para finalizar, uma prece ao Pai Celestial para o nosso querido pai: “O Senhor te abençoe e te guarde, mostre a ti o seu rosto e tenha misericórdia de ti. Volte para ti o seu olhar e te dê a paz”. Que esta benção chegue neste domingo ao nosso pai, onde ele estiver.  Pai feliz, família feliz.