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Natal no dia seguinte

publicado em 14 de dezembro de 2019 - Por Pastor Jessé

O Natal de uma pessoa é aquilatado pelo dia seguinte. Por esse fator o Natal se torna um divisor. Ele separa as pessoas em dois grupos diametralmente distintos, e dois grupos apenas. O efeito desse divisor natalino é conhecido assim o que o dia de natal fica para trás.

Para muitos o Natal é secularista. Isto é, ele se restringe ao aqui e agora. É um dia que se reserva para algumas atividades momentâneas que nada têm de transcendente. São atos cujo valor está no que se faz e se obtém apenas no momento quando são realizados.E logo após se dissipam. Nem a intensidade e nem a multiplicidade de atividades eliminam a transitoriedade e vazio de qualquer entretenimento vivido no secularismo.

Alguns efeitos das atividades do Natal secularista, como um presente recebido ou um jantar com amigos, podem até produzir algum efeito agradável no ato, mas que se esvaece rapidamente. Enfim, são atividades momentâneas que não transcendem a efemeridade da vida. E as atividades secularistas do Natal tendem a deixar um gosto de profundo vazio assim que terminam. E isso se agrava no dia seguinte.

Numa visão diametralmente oposta ao secularismo, alguns descobriram que, se entendido e experimentando conforme a verdade que ele revela, o Natal repudia e descredencia o secularismo. Para quem descobriu isso, o Natal não é sobre o entretenimento momentâneo, mas sobre a paz e alegria íntimas que permanecem. Para estes, o Natal é sobre o que transcende o aqui e o agora – o secular. Assim a diferença radical e superior do Natal transcendente se conhece pela condição interior no dia após ao Natal, bem como nos tempos por vir.

Analisar as duas possibilidades, Natal secularista e Natal transcendente, é algo que pode ser feito pelo produto final deles: Como eles são quanto à paz e alegria? É oportuno destacar que alegria não é o mesmo que uma agradável excitação provocada por coisas e entretenimento. É mais profunda. Quem celebra o Natal secularista também quer paz e alegria. Porém, ao procurar isso naquilo que é fugaz, ou naquilo que existe apenas aqui e agora, experimenta apenas sensações agradáveis que são superficiais e ilusórias. Elas não estão ancoradas no que permanece, ou, transcende o transitório.

Adversamente, quem celebra o Natal transcendente encontra e vive uma alegria e paz que não se baseia no aqui e agora, mas no que permanece, ou seja, no que é eterno. E não sendo secularista, a paz e alegria do Natal transcendente em nada se assemelha às sensações do Natal secularista. A paz e alegria do Natal que transcende se sobrepõe ao circunstancial e momentâneo. Elas são primeiramente íntimas, ou, espirituais.

Essas distinções podem ser conhecidas e apreciadas ao se examinar os relatos do Natal original. Um deles é o do encontro dos pastores de ovelhas com o recém-nascido Jesus, o Cristo, prometido pelos profetas em séculos anteriores. Depois de serem sobrenaturalmente orientados por um anjo, os pastores vão a Belém para ver Jesus. E o texto bíblico, Lucas 2:20, narra que, após a visita, longe de caírem no vazio, os pastores retornaram “glorificando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido…” O “depois” do Natal deles não foi menor que o Natal, e nem o jubilo do Natal deles desapareceu no “depois”. Por que foi assim com eles?

A palavra do anjo, que os enviou a ver Jesus Cristo em Belém, foi sobre a transcendência. Foi radicalmente adversa ao Natal secularista. O anjo proclamou: “Estou trazendo boas notícias de grande alegria… Hoje… lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor. “ (Lc 2:11). Eis uma notícia que, para ser entendida e experimentada,exige uma consideração delongada e profunda de cada partícula dela. Envolvem profundidades espirituais. E quando entendidas, é entendido a razão do júbilo que se expressava pelo “…glorificando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido…”

Certamente a maior parte das pessoas continuarão no Natal secularista, bem como com seu dia seguinte vazio. Continuarão assim porque, apesar do absurdo do secularismo, essa opção é mais afeita à condição espiritual obstinada, para com Deus, que é natural ao ser humano. Por isso o Natal transcendente exige arrependimento e transformação divina no interior. Exige se chegar à condição da desesperada necessidade de Jesus Cristo – paz e alegria.

Mas, há aqueles que, passando por um encontro com Deus na pessoa de Jesus Cristo, vivem desfrutando do Natal superior – o transcendente. Vivem um dia após outro na alegria e paz com Deus na mediação de Jesus Cristo – o bebê que nasceu para morrer. Nascer para a morte substitutiva, na cruz, pelo ser humano que, sem exceção, vive desalinhado com Deus. O Natal transcendente é de quem sabe que, em meio às adversidades deste mundo, caminha acertado e orientado pelo destino eterno – Deus. Para esse ressoa a notícia: “Estou trazendo boas notícias de grande alegria…”