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Natal é em Família

publicado em 22 de dezembro de 2018 - Por Antônio Carlos de Almeida

Natal, desde a sua origem, é uma festa da família, nem sempre foi iluminada artificialmente como hoje, desde sempre iluminada pela presença de Deus e, harmoniosamente, cantada por anjos vindos do céu, atraindo pastores agrícolas que não se vestiram para a festa, mas com roupas rudes próprias do seu trabalho compareceram para presenciar e testemunhar o acontecimento misterioso que ocorria na manjedoura mal iluminada.

José e Maria, o primeiro casal a festejar o Natal, cometeram uma loucura ao deixar sua cidade para comparecer a um censo populacional na cidade de Belém, conforme determinação do governo romano da época. Faltava muito pouco para a hora do parto. Chegando à cidade não encontraram hospedaria adequada. Então o Menino Jesus nasceu na escuridão e no silêncio inerente a um estábulo.

No centro do Natal não se encontram luzes artificiais, variedade de comidas e bebidas, conversas ruidosas ou presentes. No relato bíblico estes aparecem depois, quando o Menino Deus é visitado pelos Reis que vieram ao seu encontro. Logo depois dessa visita, Maria e José, orientados por mensageiros divinos, iniciam longa caminhada em direção ao Egito, para salvar o Menino Jesus da perseguição determinada por Herodes aos recém-nascidos.

O Natal é assim envolto em mistério, em recolhimento e em revelação divina. Como pode o Filho de Deus nascer de uma mulher? Contrariando toda a expectativa daquela época, como pode o Messias nascer numa manjedoura e não em palácio?

São os anjos que nos esclarecem a respeito desse acontecimento. Foram ao encontro dos pastores e lhes deram a boa notícia: “nasceu-vos hoje o Salvador, irão e verão um menino envolto em panos” (Lc 2,10). Foram e encontraram tal como os anjos lhes anunciaram.

E presenciaram o hino que une ainda hoje (neste Natal) os céus e a terra: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade” (Lc 2, 14). É no recolhimento, em família, que melhor descortinamos o pleno sentido do Natal de Jesus Salvador e acessamos a graça divina advinda desse acontecimento transcendente.

O natal de muitos presentes, festejos regados a uma grande variedade de comida e bebida, infelizmente não é acessível a um grande número de famílias bragantinas. Já o Natal em seu sentido original é mais acessível no que diz respeito a poder aquisitivo. Mas é um enorme desafio para muitos de nós. Estamos hoje, mais do que nunca, pouco habituados ao silêncio, ao recolhimento e à procura de Deus.

Também é desafiante reunir hoje a família para evento tão central como é o Natal. Alguns ainda estarão trabalhando, outros precisam viajar logo para aproveitar as folgas de final de ano, outros preferem comemorar o Natal com amigos.

Muitos gostariam de ir ao encontro de seus pais e irmãos, mas moram longe e não dispõem de recursos suficientes para a locomoção. Conseguem amenizar esse afastamento com os modernos recursos de comunicação instantânea, mas não é a mesma coisa que uma reunião familiar como aquelas já realizadas durante anos.

Reunir a família faz todo sentido por ocasião do Natal. Sentido maior, no entanto, encontra-se em colocar o Menino Deus no centro da reunião familiar, unindo céus e terra, nossa família e Aquele que nos enviou seu próprio filho para a Salvação de muitos. Feliz Natal.