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Miscelânea

publicado em 9 de junho de 2018 - Por Antônio Carlos de Almeida

Hoje, vou tentar seguir o colunista Sadan deste BJD, que sempre lida com textos curtos, notícias quentes, apresentadas com excelente humor, posicionamento crítico e pessoal. Há alguns dias passava a pé diante de um mercadinho de bairro. Dois nordestinos conversavam com muito entusiasmo.

Um deles relatava que conhecia seus três netos apenas pela internet. E que recentemente viajou ao Nordeste para conhecê-los pessoalmente. Dizia com grande entusiasmo que a diferença é brutal. Nada como um abraço, um sorriso ou uma brincadeira ao vivo. Moral da história: em tempos de muitas mídias eletrônicas, o calor humano continua fazendo toda a diferença. Quando estamos a muitos quilômetros de distância, ajudam. Quando estamos numa mesma sala ou mesa, atrapalham.

Atenção aos detalhes

Naqueles dias em que combustíveis estavam chegando aos poucos, caminhava no sentido contrário de uma longa fila de automóveis. Pude então observar que dois proprietários de uma grande e renomada loja encontravam-se diante da mesma, na calçada. Com muita gentileza solicitavam aos motoristas ansiosos que respeitassem a guia rebaixada e o acesso de automóveis ao pátio da loja.

Infelizmente, tive tempo de ver um motoqueiro desrespeitar a gentil solicitação, parando bem no acesso à loja, atrapalhando a entrada e saída de clientes. Esses proprietários demonstravam naquela ocasião que o sucesso de negócios, pequenos ou grandes, depende da atenção permanente dos empresários. Isso é mais facilmente transmissível à equipe por meio de exemplos consistentes como esse que vi.
Pressa, inimiga da perfeição

Durante o recente feriado prolongado, quando o fornecimento de combustíveis estava voltando lentamente à normalidade, pessoalmente, por celular e WhatsApp, algumas pessoas próximas e outras desconhecidas alertaram-me quanto a uma paralisação ainda mais grave a partir da madrugada da última segunda-feira. Não acreditei de imediato, nem duvidei.

Prestei um pouco mais de atenção nos noticiários e lancei um olhar sobre o nível e o ritmo de abastecimento dos supermercados e postos de combustíveis. Mais uma vez vem à tona a credibilidade de versões que circulam eletronicamente nos diversos segmentos sociais. Ainda é difícil separar nessa forma ágil de comunicação o que é verdadeiro e o que é falso.

A tendência mais imediata é a de acreditar. E, sem mais, difundir. É diferente daquilo que acontece nos meios de comunicação tradicionais em que as notícias são checadas e abalizadas por jornalistas profissionais. Somente a pressa de divulgar uma notícia não garante a sua veracidade.

Muito pelo contrário. E pode causar sérios prejuízos, dentre outros, pânico, correria desnecessária e exploração comercial. Sábio o síndico que colocou a seguinte placa em cada andar do prédio: “Antes de divulgar o incêndio pela internet, saia para a rua”. A placa era ilustrada por um homem, descendo as escadas com um celular na mão, enquanto altas chamas lambiam suas costas.

Exemplos que comovem e ensinam

Uma só atitude, dois exemplos expressivos. Foi o que presenciei durante a doença terminal do Renato, antigo taxista bragantino. O avanço da doença e uma medicação complexa exigiam dos filhos cuidados permanentes. O filho e a filha estiveram todo o tempo a seu lado, dia e noite, ora juntos, ora em revezamento. “Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor, o teu Deus, te dá” (Êxodo 20,12).

Ao mesmo tempo, sendo funcionários públicos, não faltaram um só dia ao trabalho. As poucas horas necessárias para algum procedimento médico foram avisadas com boa antecedência e compensadas no mesmo dia. Tanto o cuidado carinhoso de pais idosos como a integral assiduidade ao trabalho são naturais, no entanto, em nossos dias, poderiam ser mais frequentes. Teríamos então, conforme promessa de Deus no livro do Êxodo, vida longa e uma terra mais abençoada.