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Manutenção de quantidade e qualidade da água

publicado em 30 de abril de 2019 - Por Ambiente em Pauta

A escassez de água não é somente o resultado duma carência física de recursos hídricos, mas sim um fenômeno que agrava a causa de problemas relativos à gestão desses recursos e a questionáveis políticas governamentais. O crescimento demográfico, o desenvolvimento econômico, a poluição e as mudanças climáticas são fatores que exercem uma importante pressão sobre os recursos hídricos.

Da mesma forma, atividades humanas como o desmatamento, a construção de barragens, a prevenção da erosão, a irrigação e as transposições de rios afetam os processos hidrológicos e os recursos hídricos disponíveis, fatos que colocam em destaque a importância duma direção responsável neste âmbito. Nesse sentido torna-se necessário direcionar os planejamentos e ações para o desenvolvimento de atividades que garantam a sustentabilidade dos recursos hídricos em nossa região. A sustentabilidade deve ser considerada o eixo condutor do processo de conservação de água e solo das bacias hidrográficas brasileiras.

Tendo como certo que as principais fontes de degradação hidroambiental das bacias são a poluição (qualidade de água) e erosão (quantidade) e que a população local tem uma cultura acomodatícia sobre estes problemas, é necessário estimular e orientar a discussão, inclusive para identificar quais são as atividades locais que os geram, requerendo, portanto, iniciativas também locais para a solução dos problemas.

Um exemplo emblemático é a erosão e poluição difusa causados por manejo inadequado do solo na agricultura.
Todo esforço de preservação ou recuperação será insuficiente se no processo já instalado de produção (que tende a se ampliar e intensificar) não forem incorporadas tecnologias, processos ou práticas de conservação de solo e água que tenham aplicação ampla no processo produtivo, de pequenos, médios e de grandes produtores em todo o território da bacia. Os programas de conservação de solo e água não conseguem se perpetuar pela falta de percepção sobre a natureza dos ganhos que podem ser alcançados com a adequada conservação de água e solo.

As propostas de ações, programas e projetos desenvolvidos com o objetivo de conservação da água e do solo devem procurar internalizar adequadamente esses dois conceitos, por representarem os novos paradigmas capazes de tornarem a atividade, além de ambientalmente sustentável, economicamente atrativa e financeiramente exequível.
Uma estratégia para a recuperação de áreas desmatadas é a nucleação.

O processo de nucleação representa uma nova alternativa de restauração ambiental, que contrasta com os métodos normalmente utilizados, pelo fato de priorizar os processos naturais de sucessão. Aparentemente mais lentos, mas que representam uma base para a formação de comunidades vegetacionais, que atuarão como novos núcleos funcionais, dentro da atual paisagem fragmentada.

Estes núcleos vão atuar, dependendo de sua forma, tamanho e estrutura, como corredores ou como trampolins ecológicos, dentro de uma nova perspectiva de manejo ambiental das paisagens. Dentro destas perspectivas, a restauração ambiental de áreas degradadas não se restringe a uma ação pontual, mas se trata de uma ação que, futuramente, será um importante complemento no manejo ambiental da paisagem.