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Mais do que ensinar e aprender

publicado em 5 de novembro de 2018 - Por Antônio Carlos de Almeida

Nossas conversas do recente outubro percorreram outras paragens. Mas ainda é oportuno relacionar criança e professor, cujos dias foram celebrados nos dias 12 e 15. É bem interessante que o dia da criança ocorra na mesma semana em que se comemora o dia do professor. Originalmente, uma data não tem relação com outra. O dia 12 de outubro foi escolhido como dia da criança porque nessa data, no ano de 1959, o UNICEF, Fundo das Nações Unidas para a Infância, oficializou a declaração dos direitos da criança.

Por sua vez, a origem do dia do professor se deve ao fato do Imperador D. Pedro I ter instituído um decreto que criou o Ensino Elementar no Brasil, em 15 de outubro de  1827, com a criação das escolas de primeiras letras em vilarejos e cidades do país. Mais tarde, em 1963, a data foi oficializada pelo Decreto Federal 52.682, que diz:  “para comemorar condignamente o dia do professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo delas participar os alunos e as famílias”

Em escolas de todos os níveis é sempre bonita a convivência de professores e alunos. No maternal, infantil e fundamental I, essa relação é muito próxima e intensa. Todos nós, com certeza, lembramos de professores que marcaram nossas vidas. Nos dias atuais, de famílias reduzidas a um casal e no máximo dois filhos, de crianças criadas só por pai ou só por mãe, não raramente só por avós, quase sempre confinadas em apartamento sem qualquer espaço, aumentam as funções da escola e do professor. Acrescente-se a isso o fato de pais e mães saírem para trabalhar enquanto as crianças ainda dormem e só voltando tarde quando elas já se deitaram.

A maioria das crianças hoje convive com outras crianças da sua idade apenas na escola. É ali que corre, diverte-se, convive, apanha, bate, come e aprende falar, escrever, fazer contas, alimentar-se e conviver. Sempre acompanhada de professoras que chamam pelo nome, conhecem suas dificuldades, orientam, fazem carinho. E ensinam.

As funções docentes foram ampliadas. A remuneração e outras recompensas nem tanto. Em todos os níveis, alunos demandam mais atenção. No fundamental II e no ensino médio, o grande desafio para os professores é lidar com a indisciplina, a falta de atenção e concorrer com celulares que dão acesso a música, informações, fotografam e permitem contato instantâneo com pessoas longe da sala de aula. No ensino superior, os professores não conseguem avançar em conteúdos em função do baixo nível de conhecimento dos alunos. É necessário fazer constantes retrocessos para recuperar competências que já deviam estar disponíveis nos universitários.

Num mundo altamente tecnológico, muitas escolas, inclusive particulares, ainda têm acesso apenas a recursos antigos como quadro-negro, giz, pincel atômico e algumas cartolinas. Poucas são as escolas equipadas com laboratórios básicos. Muitas bibliotecas são desestimulantes, na medida em que apenas dispõem de livros defasados e mal cuidados.

Uma das saídas para a escola e a educação, para alunos e professores, é alimentar sempre a excelente relação entre crianças e professores. E inserir cada vez mais os pais nessa relação. A corresponsabilidade intensa de pais e professores é um dos primeiros passos de uma educação humanizante e competente, capaz de transformar as vidas e o país. Muitos países já descobriram isso e caminham à nossa frente. Precisamos estar atentos e cobrar políticas públicas consistentes para facilitar o trabalho docente e ampliar horizontes para nossas crianças.