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Mãe no prejuízo

publicado em 9 de maio de 2020 - Por Pastor Jessé

O Dia das Mães é o segundo dia mais lucrativo para o comércio. Esse lucro comercial pode ser legítimo, porém, segundo Anna Jarvis, aquela que mais entende de “Dia das Mães”, a avaliação é outra. Para ela, todos ficam no prejuízo quando a data se reduz essencialmente ao materialismo e comércio, isto é, presentes e vendas.

Anna Jarvis foi marcada profundamente pela vida de sua mãe, Anna Maria Reeves Jarvis. Sua mãe desistiu de fazer um curso universitário para se dedicar à educação de seus quatro filhos e cuidar do marido enfermo. Durante a guerra civil entre o Sul e o Norte dos Estados Unidos, Anna Jarvis presenciou sua mãe organizando grupos de mulheres para cuidar dos feridos.

Anna Maria morava na cidade de Grafton, no estado da Virginia, situada nos limites entre o Sul e o Norte. Ela era membro da Igreja Evangélica Metodista, na qual atuou por 20 anos como professora do Curso Bíblico Dominical. Em meio à guerra, ela se empenhou pela reconciliação dos combatentes. Por isso instruía suas enfermeiras voluntárias a cuidar igualmente dos soldados do Norte e do Sul.  Findo o conflito, Anna Maria iniciou um movimento de reconciliação, criando o “Dia da Amizade das Mães”, visando a reunificação das famílias divididas pela guerra.

Quando Anna Jarvis perdeu sua mãe, em 1905, dedicou-se a promover a virtude de mulheres de valor como sua mãe.  A Igreja Metodista em Grafton, movida por Anna Jarvis, celebrou o primeiro “Dia das Mães”, tornando-se conhecida como “A Igreja do Dia das Mães”. Depois, Anna Jarvis e suas companheiras se mobilizaram para estender essa celebração a toda nação. Em 1914 o presidente Woodrow Wilson oficializou o Dia das Mães nos Estados Unidos. E o mundo seguiu o exemplo.

Como parte da celebração do Dia das Mães, Anna Jarvis introduziu o costume de se presentear a mãe com um cravo branco, a flor favorita dela. Logo os floristas passaram a não dar conta da demanda de cravos brancos. Então, promoveram o presentear de qualquer tipo de flor. O comércio acabou dominando o Dia das Mães, o que causou profunda revolta em Anna Jarvis, que partiu para o contra-ataque.

Ela começou a incitar as pessoas a não dar presentes no Dia das Mães. É relatado que Anna Jarvis chegou a atacar pessoalmente alguns estabelecimentos comerciais. Ela afirmou: “Eu quero que esse dia seja um dia de sentimento, não de lucro”. Mas ela, que foi vitoriosa ao instituir o Dia das Mães, perdeu a batalha contra o comércio.  Em 1920, o Dia das Mães já era uma das celebrações mais lucrativas nos EUA.

A questão que se coloca é sobre o verdadeiro lucro que sobrou do Dia das Mães. Tudo indica que ele está em prejuízo significativo. O Dia das Mães precisa voltar à sua origem, visando primeiramente o lucro da harmonia e reconciliação no casamento e família, bem como a formação moral e emocional dos filhos. Obviamente, o dever dessa volta recai também sobre os pais. Infelizmente é crescente o número de mães carregando sozinhas a tarefa. Seres humanos precisam crescer num ambiente no qual mãe e pai pratiquem a fidelidade, respeito e sacrifício. Se assim não for, o prejuízo irá muito além do Dia das Mães. Haverá prejuízo para o indivíduo e sociedade em níveis incalculáveis, como já se presencia.

Anna Jarvis estava certa. Se o único lucro do Dia das Mães é o comercial, então esse dia é apenas um dia, isolado, de bajulação materialista na família. Torna-se celebração fingida de pessoas esfaceladas quanto à moral e relacionamento. Considerando a condição e valores atuais da sociedade e família, o Dia das Mães se tornou uma celebração pobre. Ele está no prejuízo.

Carece-se urgentemente que esse dia, e possível presentear, represente uma vida constante de solidez e harmonia na família e casamento. E tudo nutrido pela fidelidade, conciliação e sacrifício, nutrindo as crianças em valores edificantes.E com filhos que, então, respondam positivamente ao serem assim nutridos.O Dias das Mães exorta a um celebrar de famílias e matrimônios moralmente firmes.