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Lucas para sempre em meu coração!

publicado em 8 de junho de 2018 - Por João Raposo

Esta é uma coluna que jamais queria escrever! Com certeza é uma coluna que nenhum pai queria escrever! Acho até que nenhuma pessoa queria escrever!

Aliás, eu jamais pensei que iria escrever! Jamais! A perda de um filho era algo inimaginável para mim. Eu sempre dizia que isso “era um frio para o qual eu não tinha cobertor” e tinha certeza que Deus jamais mandaria um frio desses para mim. Pois é…me enganei.

Mas, não estou aqui para reclamar com Deus. De que me adianta isso? Ora, vou brigar justamente com o dono do frio e dos cobertores, sendo que ainda estou à espera dos cobertores? Seria muita burrice da minha parte.
Hoje estou aqui para fazer uma simples homenagem ao meu filho Lucas, 31 anos, que nos deixou no último dia 24.05.18, às 22h30, após quase duas semanas de luta pela vida, na UTI da Santa Casa local.

Fora vítima, no último dia 13.05.18 de um simples tombo de uma área que acessa uma sala de TV, que fica em cima do quarto dele (o outro lado é um muro alto), quando bateu a cabeça violentamente no chão. Enfim, os desígnios de Deus talvez não sejam para ser entendidos, mas apenas aceitos. Sempre disse em minha vida que saber viver é “saber aceitar o que não pode ser mudado e lutar por aquilo que pode ser”. Então, chegou a minha hora de aceitar o que não pode ser mudado. E essa “tragédia”, infelizmente, não pode ser mudada.

Lucas era um “menino” (para mim ele tinha uns 10 anos…rsrs) simpático, carismático, amável, de um coração incrível. Perdi as contas das vezes que voltou para casa sem agasalho, porque no caminho tinha “doado” para alguém que necessitava. Ou, das vezes que fez “vaquinha” na faculdade para juntar dinheiro para comprar remédio para alguém que precisava. E me emocionei muito quando recebi uma ligação, “esta semana”, obviamente após sua morte, de uma mulher que tinha câncer, que era sua colega de classe, dizendo que ele a ajudou muito, inclusive com “vaquinhas” para juntar dinheiro para ela poder comprar remédio.

Graças a Deus hoje ela está curada e quero crer que essas “vaquinhas” tenham ajudado nessa cura! Enfim…esse era Lucas. Capaz de se mostrar “falsamente indiferente” diante de uma situação triste, mas voltar logo ali, alguns minutos ou horas depois, e fazer um ato de caridade, sem que ninguém ficasse sabendo (acho que ele não gostava que as pessoas soubessem do bem que ele fazia).

Perdi minha mãe em dezembro passado (éééé…ultimamente Deus resolveu testar minhas forças) e ela sempre dizia que Lucas, seu primeiro neto, era muito evoluído espiritualmente. Não entendia muito bem o porquê ela dizia isso, mas após a morte de Lucas e ver as dezenas de histórias que as pessoas vieram contar para mim, percebi o quanto minha mãe sabia o que estava falando.

Mas, talvez a história que mais tenha me chamado atenção foi quando em seu velório, um moço, já bem grandinho, disse que quando ele (esse moço) tinha uns 15 ou 16 anos, e frequentava a mesma igreja que, na época, Lucas também ia, e após um culto, em uma conversa de amigos, disse que nunca tinha tido um videogame. E não é que no dia seguinte Lucas apareceu na igreja com um videogame e deu de presente a esse moço!?

Na verdade, Lucas pegou o videogame dele e levou para esse moço de presente. E, ali no velório, eu, finalmente, descobrira o paradeiro de “um dos” videogames de Lucas, que eu sempre reclamei que havia sumido. A vida realmente nos surpreende e Lucas realmente sempre nos surpreendeu, até em sua morte.

O que fica e vai ficar são essas histórias de doação, de caridade, de “coração bom”, de carisma, de simpatia, de alegria, e é impressionante como esse tipo de pessoa, por vezes, fica pouco tempo na Terra, O motivo disso? O segredo disso? O mistério disso? Não sabemos! Quero acreditar que tudo isso aqui seja uma missão de algo muito mais grandioso do que acordar, trabalhar, dormir, enfim, quero acreditar que a missão de Lucas tenha chegado ao fim e por isso a sua partida tão inesperada.

Hoje tenho mais um olhando por mim lá no céu! E, como afirmei antes, cabe a nós aceitar o que não pode ser mudado e lutar pelo que podemos mudar! E nessa luta de querer mudar o que pode ser mudado, hoje tenho um aliado em um plano maior: seu nome é LUCAS!

 

AGRADECIMENTOS

Não poderia terminar esta coluna sem deixar de fazer muitos agradecimentos, que começam pelos Bombeiros e pela equipe do SAMU, que tão prontamente e eficazmente socorreram Lucas, ali no ato da sua queda. Heróis anônimos (quem se lembra de perguntar ou guardar o nome de cada um nessas horas?) que jamais esquecerei!

À toda equipe da Santa Casa, aos médicos que o operaram (meu Deus, eu não lembro o nome de todos! Me lembro do Dr. Sampaio e…meu Deus, não me lembro dos demais! Peço perdão do fundo do meu coração por isso!). Ao Dr. Maurício Beitia, que quase todos os dias nos atualizava o estado do Lucas (infelizmente, sempre eram informações “desesperadoras”, mas ele fazia isso com muito carinho e sensibilidade, jamais esquecerei!).

Aos porteiros que entenderam nosso nervosismo, querendo subir “na” UTI fora de hora ou com um “pelotão” de gente (a eles não só o meu muito obrigado, mas minhas desculpas também, por qualquer coisa que possa ter havido!). Às enfermeiras e enfermeiros, tão dedicados e tão pacientes com o nosso desespero. E a todas as pessoas, na verdade foram milhares de pessoas, que entraram em corrente de oração, de fé, de esperança, rezando e orando pelo Lucas, para que um milagre acontecesse. Tudo isso não foi em vão, pois tenho certeza que o milagre ocorreu! O milagre dele, hoje, estar em um plano superior. Como disse antes: pessoas evoluídas espiritualmente, por algum motivo, muitas vezes partem cedo daqui.

E quero deixar aqui um agradecimento muito especial, mas muito especial mesmo, ao Dr. Cláudio Sigemori, tio do Lucas, que fez enormes esforços, reuniu médicos, providenciou tudo, mas absolutamente tudo para que Lucas pudesse ter alguma chance de continuar vivo e de seguir sua jornada aqui na Terra.

Eu jamais terei como retribuir isso, mas lá em cima tem alguém que pode retribuir a você, Dr. Cláudio Sigemori, o mesmo alguém que hoje Lucas está ao lado dele. Meu muito obrigado do fundo do meu coração, Dr. Cláudio Sigemori!!!!

O meu muito obrigado a todos vocês! Podem ter certeza que Lucas, hoje, é mais um a olhar por todos nós!