Colunistas

Infraestruturas verdes em meio urbano proporcionando qualidade ao ambiente

publicado em 27 de novembro de 2018 - Por Ambiente em Pauta

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 76% da população brasileira reside em área urbana. Tal cenário contribui para o aumento das infraestruturas cinzas que se caracterizam pelas superfícies impermeáveis como calçadas, estacionamentos, terraços e acabam por contribuir para situações de alagamentos, inundações, ilhas de calor, poluição visual, atmosférica, hídrica, interferência nas dinâmicas naturais do espaço  entre outros. Para mitigar os impactos causados pelas infraestruturas cinzas as infraestruturas verdes desempenham um excelente papel.

A infraestrutura verde pode ser definida como uma rede ecológica que engloba o tripé da sustentabilidade: componentes ambientais, sociais e econômicos dando suporte a vida, ao bem estar (McMahon, 2006). Como exemplos dessa infraestrutura citamos:

  • Biovaletas: são depressões lineares, iguais as valetas tradicionais de concreto, preenchidas com solo e vegetação que absorvem a água pluvial que pode ser direcionada para um jardim de chuva;
  • Jardim de chuva: áreas com depressões topográficas já existentes, ou adaptadas, sem impermeabilização onde é implantado um jardim com solo poroso que age como uma esponja recebendo as águas pluviais provenientes de telhados, vias, terraços e demais áreas impermeáveis da área urbana;
  • Lagoa pluvial: são bacias de contenção que recebem o escoamento por drenagem natural. O que chama a tenção no uso dessas lagoas é o fato de que parte do volume para ela escoado permanece retida mesmo após a passagem precipitação pluviométrica, caracterizando-se assim como um “alagado construído” (Cormier, N., & Pellegrino, 2008);
  • Teto jardim: substituição das telhas convencionais por um jardim. Consiste na adaptação da estrutura convencional de telhas já construídos a fim de que possam receber base impermeável, camada drenante, solo e vegetação. Também podem ser realizados desde o projeto inicial da residência. Esse teto possui a função de absorver águas pluviais assim que caem sobre o ele diminuindo o tempo e a velocidade com que essas águas escoam pêra a superfície.

Ambas alternativas citadas, lembrando que existem muitas outras possibilidades, possuem a mesma função: realizar o manejo da água em áreas urbanas e não apenas drená-las. O manejo conquiste fazer com que a água pluvial permanece o mais tempo possível no solo, nas áreas onde ela se deposita proporcionando uma infiltração e uma evaporação lenta auxiliando na diminuição de ilhas de calor.

Em março, deste ano, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou o Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos 2018 citando a importância do equilíbrio entre infraestruturas cinzas e verdes para o adequado uso da água. Em uma roda de discussão sobre tal relatório, o coordenador residente do Sistema ONU no Brasil, Niky Fabiancic, cita que “Precisamos identificar ações que se apoiem mutuamente, e trabalhar com a natureza. Não contra ela. A combinação entre as infraestruturas verde e cinza pode sim reduzir riscos[…]” (Agencia Brasil, 2018), salientando ainda mais a necessidade de repensarmos nossos métodos de urbanização e de construção.

Muitas alternativas de infraestrutura verde podem ser realizadas tanto em áreas publicas, extensos espaços, quanto em pequenas áreas individuais como residências, empresas, áreas privadas, próprios públicos e, ainda assim, impactar de forma positiva todo seu entorno, desde sua rua, seu quarteirão, seu bairro… atitudes individuais também ajudam a mudar nosso meio e a conscientizar aqueles que estão próximos a nós!

Para saber mais:

Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos 2018: http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/natural-sciences/environment/wwdr/

Raquel da Silva Pinto, Engenheira Ambiental e Sanitarista, colaboradora do Coletivo Socioambiental e Associação Bragança Mais.