Colunistas

Informar-se, analisar e escolher bem

publicado em 13 de agosto de 2018 - Por Antônio Carlos de Almeida

Temos todos os brasileiros, principalmente os eleitores, importante tarefa nesta reta final das eleições gerais de outubro. Nem bem começou e já estamos na linha de chegada. Simultaneamente, é necessário um olho nas eleições federais para presidente, senadores e deputados e outro olho nas eleições para governador e deputados estaduais.
Urge acertar. O erro poderá acarretar consequências desastrosas, visto que o atual equilíbrio social e econômico do Brasil não é consistente. Muita coisa está em jogo.

O cenário internacional não é de estabilidade. Depois do Mercosul, União Europeia e outras uniões de mercados regionais, o atual momento é de cada um por si. O Reino Unido saiu da União Europeia; os Estados Unidos, sob o comando de Trump tripudiam inclusive com seus parceiros comerciais; e não são poucos os países que passam por graves crises. Salve-se o país que puder. Tudo isso tem forte impacto sobre a economia e sobre a manutenção e a geração de empregos. Neste momento, tudo depende do discernimento dos eleitores.

As convenções partidárias encerradas no último domingo apresentam o maior número de candidatos a presidente em relação às eleições anteriores. Treze candidatos, sendo 11 homens e 2 mulheres. Além do ex-presidente Lula (PT), que disputou o cargo cinco vezes e foi eleito duas vezes, também voltam à corrida ao Planalto os ex-ministros Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede), o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e José Maria Eymael (DC). Outros nomes são novos na disputa: Jair Bolsonaro (PSL), Álvaro Dias (Podemos), Henrique Meirelles (MDB), Guilherme Boulos (PSOL), João Amoêdo (Novo), João Goulart Filho (PPL), Cabo Daciolo (Patriota) e Vera Lúcia (PSTU).

Analisar aqueles que são experientes é um pouco mais fácil. Seu desempenho e comportamento anteriores podem ser observados. Dentre os novatos, nem tudo é novo, nem tudo é promessa de mudança. Os vices Itamar, Sarney e Temer, que chegaram ao poder substituindo os titulares, recomendam também um olhar para os candidatos a esse posto, bem mais desconhecidos do que os presidenciáveis.

Tem general que é vice de capitão; candidatas são 4, e em geral resultam de coligações partidárias ou emprestam prestígio regional ou setorial ao candidato a presidente.

Quem de nós já escolheu o seu candidato a governador do Estado de São Paulo? São doze: Adriano Costa e Silva (DC), Claudio Fernando Aguiar (PMN), Edson Dorta (PCO), João Dória (PSDB), Lisete Arelaro (PSOL), Luiz Marinho (PT), Marcelo Cândido (PDT), Márcio França (PSB), Paulo Skaf (MDB), Rodrigo Tavares (PRTB), Rogério Chequer (NOVO) e Toninho Ferreira (PSTU).

São decorridos 35 anos da Nova República, iniciada com o fim da Ditadura Militar. Lá eram apenas 2 partidos políticos. Hoje são 35. A grande quantidade não é acompanhada de qualidade, poucos são os partidos que têm um projeto objetivo de governabilidade, vários são siglas de aluguel nas principais discussões, nas coligações e na cessão de tempo de TV durante a campanha eleitoral.

Muitos candidatos já mudaram diversas vezes de partidos. Por exemplo, Álvaro Dias, candidato a presidente, já mudou 7 vezes de partido. Tradicionalmente em nossas eleições, a popularidade do candidato tem mais peso do que o projeto partidário. Desta vez, como sempre, cabe estudar, analisar, escolher bem os partidos e as coligações a que entregaremos o futuro do Estado e do país.

É muita coisa a ser observada em pouco tempo. No bojo dos candidatos a governador, senador e deputados estão políticos sob inquérito nas centenas de investigações em curso, a maioria ligada à corrupção em mandatos anteriores. Podem passar despercebidos em eleições tanto amplas.

É necessário um olhar atento sobre eles. O quadro político ainda necessita de limpeza. A renovação precisa ser criteriosa. Nós, eleitores, temos muito e importante trabalho em pouco tempo: informar-se, conhecer as propostas, analisar e escolher bem. Depois, reclamar adianta pouco.