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Hora, vez, voto e voz do eleitor

publicado em 21 de abril de 2018 - Por Antônio Carlos de Almeida

A noite do último 12 de abril não foi abertura nem encerramento da Exposição Agropecuária no Posto de Monta. Era apenas um dia intermediário da festa. Mesmo sendo uma quinta-feira, na abertura daquela noite de evento, estiveram presentes um deputado estadual e dois deputados federais.

A plateia, entre ansiosa pelo show musical e preocupada com o dia útil seguinte, acompanhava eliminatórias do rodeio. Houve então a entrada de autoridades locais e dos deputados para o Hino Nacional e, em seguida, breves discursos, todos ressaltando o trabalho dos parlamentares em favor da região.

Fiquei então a imaginar o dia de trabalho de um parlamentar em São Paulo e em Brasília. Não é fácil deslocar-se no início da noite dessas capitais para Bragança Paulista. Estavam ali porque esse contato com antigos e novos eleitores é fundamental para a sustentação do mandato atual e, principalmente, para alavancar novas pretensões eleitorais. Já o eleitor não costuma ter a mesma persistência. Muitos de nós mal lembramos qual foi o candidato que recebeu nosso voto para deputado, governador, senador e presidente da República.

Outubro está chegando e com ele as eleições gerais de 2.018. O quadro ainda está muito pulverizado. Está difícil captar qualquer tipo de tendência. Como agravante temos um quadro político disforme em função da escalada da corrupção. Não obstante o avanço de investigações, condenações e prisões de vários políticos eleitos, há ainda um longo caminho a ser percorrido na direção de um sistema político eficiente e eficaz, voltado para o bem-estar da população.

Não são poucos nem pequenos os problemas que atingem crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos brasileiros. Há a necessidade de fazer muito e urgentemente na área da saúde, segurança, educação, trabalho e renda. Políticos de plantão fazem grande alarde sobre pequenas soluções paliativas. É raro encontrar eleitos que se debruçam sobre soluções estruturais e duradouras, sobre um projeto arrojado de cidade, estado e país.

Nós, eleitores, temos neste ano muito trabalho a realizar no campo da cidadania e da política. Precisamos relacionar soluções urgentes que se fazem necessárias para o nosso Estado e para o país. Antes de pensar nas pessoas e partidos políticos que podem nos representar, devemos fazer uma lista daqueles que não merecem a nossa confiança devido à inoperância, falta de capacidade e, pior ainda, envolvimento com esquemas de corrupção ativa e passiva.

Quando a oferta é pequena, torna-se mais difícil escolher bons candidatos. Faltam alternativas. Muitos cidadãos de bem, intelectualmente articulados, competentes socialmente e empreendedores poderiam se apresentar como candidatos. Não o fazem porque a fase vivida pelo sistema político não é plenamente sadia. A renovação fica então comprometida.

Embora não sejamos muito interessados em entrevistas, reportagens e divulgação de pessoas que se apresentam pela primeira vez no atual quadro eleitoral, isso se faz necessário. E, de forma radical, devemos divulgar amplamente aqueles que estão envolvidos com corrupção, tanto aqueles que já são conhecidos em função dos processos a que respondem, quanto aqueles que ainda não vieram à tona.

A vivência da cidadania, o debate político, o exercício de mandatos e o acompanhamento dos partidos políticos são fundamentais para a democracia e o bem-estar da população. Parte dos eleitores chega hoje a cogitar uma ditadura como saída. A história brasileira e de países desenvolvidos e harmoniosos demonstram que os resultados da democracia são quantitativamente mais abundantes e qualitativamente melhores e mais duradouros do que os da ditadura. Esta é a hora e a vez do eleitor, seu voto e voz são decisivos para o Brasil que almejamos para nós e para nossos filhos, netos e futuras gerações.