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Gestos comoventes para meditar neste carnaval

publicado em 2 de março de 2019 - Por Antônio Carlos de Almeida

Celebridade é uma coisa, líder é outra. Há nos dias atuais uma produção midiática em larga escala de celebridades. Qualquer pessoa, artista ou esportista, cuja imagem ocupe algum espaço na mídia, tendo conteúdo ou não, logo é apresentada como modelo a ser seguido. Líderes de verdade, com conteúdo altamente significativo, dignos de serem seguidos, são raríssimos, tanto no âmbito local, nacional ou internacional. Nos últimos cincos anos, o Papa Francisco é um destaque espetacular nesse cenário.

Suas aparições em público sempre atraem multidões, inclusive de pessoas que não praticam o Catolicismo. Já visitou dezenas de países, onde desenvolve uma agenda evangelizadora, pastoral, social e política. Deixa sempre clara sua posição diante de controvérsias próprias dos países ou regiões que recebem sua visita. Visita e é visitado por autoridades de países pequenos e grandes.

Não se furta a mediações de crises sempre que solicitado. Mantém uma agenda intensa com vistas à atualização de posturas da Igreja e é exigente no que diz respeito a episódios de desvios sexuais e financeiros no âmbito eclesial. Neste campo, é rigoroso em relação a padres, bispos e, inclusive, cardeais.
No entanto, a dimensão mais cativante, emocionante e transformadora está no seu jeito afável, carinhoso, simples e comunicativo de se relacionar com as pessoas. Com frequência, ele mesmo se aproxima para um abraço, uma troca de palavras ou um beijo.

Quando se trata de criança, de enfermos, de idosos, de minorias ou de refugiados, é ainda, surpreendentemente, mais afável. Surpreendeu ao mundo quando em sua primeira aparição como Papa pediu a todos que orássemos por ele. Já eleito, voltou de taxi para a pensão em que estava hospedado. Mais surpreendeu a todos quando escolheu estabelecer na Hospedaria Santa Marta sua residência. Abriu mão do tradicional aposento papal. Explicou o motivo dessa escolha: “Preciso de convivência. Tenho dificuldade de viver sozinho, isolado”. Faz suas refeições com os demais hóspedes. Frequentemente, reza com estes a Missa do dia.

Encontram-se acessíveis no Youtube e em outros meios de comunicação dezenas de cenas em que o Papa Francisco estabelece uma relação surpreendente e encantadora com outras pessoas. Nestes dias de folga carnavalesca, vale a pena conferir. E se emocionar com uma sequência impressionante de gestos. Seguem alguns títulos de busca no Youtube que levam a verdadeiras preciosidades: Coragem de menina impressiona ao Papa; Papa para automóvel para abençoar moradores; Menino autista rouba a cena; Papa e o menino insistente; Papa visita Bento XVI; Menino chora pela morte de seu pai ateu; Papa se emociona ao encontrar amigo na multidão; Papa quebra protocolo; Jovem brasileira arranca sorrisos junto ao Papa; Papa para e beija criança; Papa vai de ônibus a retiro; Papa almoça com funcionários do Vaticano; Papa conversa com jornalistas durante voo; Papa toma mate; Papa é admirador de circo; Papa oferece almoço para 2 mil pessoas que vivem em situação de pobreza; Papa visita refugiados; Papa almoça com transexuais e portadores de aids; Papa convida pobres para almoçar no Vaticano; Papa visita padres idosos.
A partir dessas pesquisas no Youtube, se descobre que existem outros gestos comoventes de Francisco. Alguns já vistos na TV, outros ainda desconhecidos, todos edificantes. Poderiam também ser frequentes em pessoas como nós que ocupamos cargos bem menores que o dele. Mais alguns líderes como Francisco e o mundo certamente teria uma convivência mais fraterna, agradável e promissora.

Encontrei-me pessoalmente apenas duas vezes com Sérgio Salomão, o popular Sadan, colunista do BJD, que faleceu há alguns dias. Lia regularmente sua coluna de sábado. Várias características edificantes de seu jeito de viver, se relacionar e escrever merecem destaque. Persistência. Não é fácil manter uma coluna durante quase duas décadas. Estilo. Seu texto era inconfundível, mantinha sempre o mesmo padrão, conciso, dava conta de tudo que estava acontecendo. Batalhador.

A segurança pública e a situação de antigos banespianos eram bandeiras sempre presentes. Cidadão. Curtia as coisas de Bragança e da sua Pedra Bela. Sempre respeitado no âmbito do Executivo e do Legislativo. Família. Nos dois ou três últimos anos, duas vezes por semana, pedia oração por sua filha adoentada. Outros membros da família eram citados frequentemente. Sempre amigo. Aniversários ou falecimento de alguém não passava em branco. À sua maneira bem pessoal, a exemplo do Papa Francisco, reunia crítica a situações conflitantes e brandura para com as pessoas, em especial, para com aquelas que lhe eram mais próximas.