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Gentileza no trânsito, calçadas e corredores

publicado em 6 de julho de 2019 - Por Antônio Carlos de Almeida

Não são necessários muitos minutos em algum cruzamento de ruas para ver como motoristas (homens e mulheres) andam muito estressados. Todo mundo quer ser o primeiro. São raros aqueles que cedem a vez. Qualquer comportamento que contrarie a perspectiva do apressado é alvo de xingamentos. São incríveis os insultos que se ouve. Alguns procedentes de veículos luxuosos, supostamente de pessoas bem educadas.

Não é difícil observar que em locais de trânsito confuso, com sinalização precária, infelizmente ainda muito comum em nossa cidade, a gentileza não atrasa a viagem do gentil. Muito ao contrário, alivia o congestionamento, faz todos andarem. E aquele que oferece uma gentileza segue leve, com a alegria própria de quem fez o bem. Dá um pouco de si, recebe muito em troca.

Nossa cidade, além de comportamento generoso dos transeuntes, depende ainda muito de melhorias em pavimentação e sinalização. Não são poucas as armadilhas existentes em ruas, avenidas e praças. Moradores e responsáveis por estabelecimentos comerciais e de serviços (inclusive da saúde), com pequenos investimentos, podem disponibilizar calçadas e rampas mais adequadas para pessoas de todas as idades.

Terrível mesmo é a situação de pessoas que dependem de muletas, cadeiras de rodas e carrinhos de bebê. Nestes casos as armadilhas se multiplicam e são traiçoeiras. Relatei aqui há algum tempo um treinamento realizado por um condomínio. Colocou seus porteiros e seguranças com vendas nos olhos, colocou-os em cadeiras de rodas.

O objetivo era criar neles sensibilidade para aquilo que pessoas idosas ou portadoras de necessidades especiais sofrem. Uma vivência semelhante a essa para secretários municipais, vereadores, prestadores de serviços públicos, responsáveis por atendimento na área da saúde e comerciantes poderia resultar em melhorias acentuadas para nossas ruas, calçadas, localização de postes, rampas de garage e de acesso a estabelecimentos.

É muito difícil empurrar um paciente com cadeiras de rodas em nossas calçadas, muitas são estreitas, quase todas com acentuada inclinação. Em algumas rampas o paciente morre de medo e o condutor é obrigado utilizar todas as suas forças. Rampas de renomadas instituições, algumas de saúde, situadas em subidas são intransponíveis. São duplamente inclinadas, para o meio da rua e de cima para baixo.

Idosos com pernas fracas, pacientes com andadores ou muletas, condutores de cadeira de rodas ou carrinho de bebê sofrem também em pisos adequados. Muita gente não percebe a aproximação. Outras percebem, mas não se movem. Permanecem como postes diante do portador de necessidades especiais.

Isso é comum em todo tipo de aglomerações de pessoas: shopping, cinema, igreja, calçadas, feiras, corredores de supermercado. Estamos de novo no campo da sensibilidade e da gentileza. Esta tem o poder de facilitar a vida de pessoas que necessitam de apoio. É sempre muito comovente quando encontramos pessoas que abrem espaço ou que se propõem a ajudar. Felizmente, elas existem. Gentileza gera gentileza. E alegra o coração de quem doa, de quem recebe e daqueles que observam.