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Fim das eleições

publicado em 1 de novembro de 2018 - Por Pedro Marcelo Galasso

Pouco para se comemorar no fim do processo eleitoral. Na verdade, a leitura fria do que assistimos esse ano é preocupante não só no que tange a escolha dos próximos políticos, mas diz muito sobre a sociedade brasileira.
Os pontos que mais causam espanto são os que se referem ao papel parcial e partidário da esfera judiciária que contribuiu bastante para o aumento do descrédito frente a sua área de atuação. Pesos e medidas diferentes para ações iguais, silêncio e conivência que beiram ao absurdo foram praticados, repraticados com as piores e mais desprezíveis justificativas, algumas tão vexatórias que ao serem apresentadas ao público causavam constrangimento.

Além disso, a eleição de um candidato cujo histórico político pífio para o cargo de presidente, que se elegeu sobre uma falsa onda de antipetismo com um discurso perigoso e irresponsável, lembram o que dizia e prometia Collor, ou seja, figuras como o futuro presidente não são novidades, mas a violência e a truculência do discurso que o elegeu é algo que deveria causar aversão. No entanto, foi exatamente esta impostura que lhe garantiu a vitória.

Por aqui, nada de novo. O mesmo candidato conseguiu mais um mandato, mesmo após o emporcalhamento das ruas e avenidas. Portanto, não teremos algo diferente e tudo continuará como está.

Nosso futuro governador, após a sua pífia passagem pela prefeitura da cidade de São Paulo, é um político que não percebe as diferenças entre as administrações pública e privada. O seu modelo de gestão empresarial da coisa pública é um desastre anunciado e já conhecido.

Nosso Congresso Nacional continua o mesmo. Políticos caros, ineficientes e corruptos se untarão a nossos iguais. Tivemos, inclusive, a formação da Bancada da Bala, formada por políticos de esferas distintas, mas que pegaram uma carona no discurso de ódio e sem propostas que sejam ao menos coerentes conseguiram seus cargos e irão barganhar com o governo federal seus interesses em troca de indicações políticas e partidárias sem precisarem prestar contas de suas ações aos seus eleitores.

Há, entretanto, uma questão ainda mais séria e imperdoável. Uma ação inconsequente, mesquinha e fisiológica. Uma ação tão nefasta que mergulhou o país em uma onda de ingovernabilidade e de incertezas que nos remetem ao período ditatorial de 1964.

A ação diz respeito ao PT que de forma vergonhosa manteve a candidatura de Haddad após a prisão e o impedimento do ex-presidente Lula. Um partido político manchado, corrupto e que fez o irresponsável eleitorado brasileiro crer em um sentimento de ódio contra o monstro imaginário da “esquerda” e do seu consorte, o “comunismo”, ideias que ferem o bom senso, mais que por conta de seu maniqueísmo faz sentido para os eleitores que não se ocupam da Política, da vida pública e que buscam soluções fáceis que não lhes cobrem mudanças ou responsabilidades civis.

A História não se repete, mas mantém uma inércia que nos arrasta aos mesmos lugares por caminhos distintos e próprios.

Pedro Marcelo Galasso – cientista político, professor e escritor. E-mail: p.m.galasso@gmail.com