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Festa do Peão I

publicado em 24 de novembro de 2018 - Por Marcus Valle

Todos os anos, debate-se sobre a “Festa do Peão” e suas consequências para a economia do município. Em Bragança, normalmente, o evento é um sucesso em termos de lazer e entretenimento para a população, mas no modelo atual, extremamente negativa no que se refere à economia local.

Enfim, a festa deve ser mantida, mas corrigida nesse aspecto.

2 – Festa do Peão II

Cerca de 200 mil pessoas comparecem a festa todos os anos. Estima-se que metade delas é de Bragança, pelo menos. Dos bragantinos, todos os gastos são feitos dentro do local do evento. Dos que vem de outras cidades, pouquíssimos gastos são feitos fora do recinto (eventualmente hotéis, postos de gasolina etc.). Normalmente são turistas que são da região (fazem o chamado “bate e volta”) e não ficam na cidade. A Prefeitura arrecada muito pouco com o evento, e tem gastos lá.

3 – Festa do Peão III

Dentro do Parque (Posto de Monta) há dezenas de barracas e 90% delas são de pessoas de outras cidades. Na praça de alimentação, todos os barraqueiros, além de pagar o valor do espaço aos organizadores da festa, tem que comprar as bebidas (cervejas e refrigerantes) da empresa organizadora, a preço bem maior do que num supermercado. Os organizadores da festa, não compram as bebidas nos supermercados ou atacadistas da cidade, mas sim direto da fábrica, que terá exclusividade na festa (cerveja só Brahma, ou só Skol, ou só Schincariol, por exemplo).

A cerveja que custaria, por exemplo, R$ 1,20 no supermercado, é fornecida pelos organizadores a R$ 5,00 e revendida a R$ 7,00 ao público. Todos perdem, inclusive, e principalmente, os frequentadores e comerciantes locais.

Os estacionamentos também são explorados por empresas, normalmente, de outras cidades, que pagam aos organizadores.

4 – Festa de Peão IV

Enfim, os organizadores da festa ganham com:

1 – venda de camarotes; 2 – venda de ingressos; 3 – exploração (ou cessão) de estacionamento; 4 – venda do espaço para funcionamento das barracas, parques etc. e 5 – fornecimento de bebidas (cervejas, água e refrigerantes) aos barraqueiros a preços altíssimos.

Sai muito mais dinheiro do que entra na cidade.

Resultado: durante a festa, restaurantes e casas noturnas ficam “às moscas”, e cai muito o movimento do comércio em geral (com raros casos em que é beneficiado). Depois da festa, efeito ressaca, aumenta a inadimplência e menor movimento no comércio por falta de dinheiro.

5 – Festa do Peão V

Precisa mudar o esquema da festa. A de Barretos, por exemplo, por alcançar publico de longe, reativa a economia local. O dinheiro fica no município. Aqui é o contrário, o evento sangra a economia. Estamos levantando o tema desde já, para ver se teremos alguma ação da prefeitura para minimizar o problema.

6 – Lago do Taboão

O desassoreamento parcial do Lago do Taboão só será verdadeiramente eficiente quando forem instalados filtros para as principais entradas de água no lago. Das dez entradas, três são as maiores: 1ª) em frente à rotatória do Habib´s; 2ª) o ribeirão que deságua no início do lago, próximo ao parquinho; 3ª) a saída de água que vem do Colinas de São Francisco, no começo do lago.

Não adianta nada tirar a terra e ela continuar caindo.

7 – Furtos no Centro

Muitos furtos, invasões e danos nos imóveis do Centro de Bragança. Como se reduziu em muito o número de moradores nessa área, os ladroes estão agindo livremente. Necessita de rondas policiais.

8 – Barulho na Praça 9 de Julho

Toda semana falamos do Jardim São José, mas problema igual ocorre na Praça 9 de Julho (muito barulho, brigas e bagunça, promovidas por frequentadores de uma casa noturna).

Num feriado, semanas atrás, sexta-feira, isso por volta das 21:00 horas, quatro elementos saíram do estabelecimento, andando com copos na mão, meio cambaleantes, passaram por mim e meu filho que caminhávamos na calçada, e na nossa frente dois deles chutaram a porta de um estabelecimento comercial vizinho. Segundo moradores, isso acontece direto lá, e embora não sejam de responsabilidade direta da casa noturna, acontecem em função dela (parte dos frequentadores promovem arruaças na rua). As reclamações são muitas.

9 – Direito Penal – “Achado é crime”

“Achado não é roubado”, diz o ditado popular.

No entanto, não é o que diz a lei. O artigo 169 do Código Penal determina que não devolver algo encontrado é crime, punido com detenção de um mês a um ano, ou multa.

Portanto, devolver ao dono qualquer objeto encontrado na rua (dinheiro, inclusive) não é apenas uma obrigação moral, mas também uma obrigação legal.

E quando não se sabe quem é o dono? Pode ficar com o bem encontrado?

Resposta: Não. Ele tem que ser entregue as autoridades no prazo máximo de 15 dias. Essa é a lei, mas infelizmente não é o costume.

10 – Rápidas

1 – Filme maravilhoso é o libanês – francês, “O Insulto”, cotado para o Oscar. Mostra que um pequeno incidente entre pessoas boas e normais, pode se tornar uma guerra por causa da intolerância e radicalismo. Não perca.

2 – Prefeitura deveria desistir da ideia de incluir as escolas Maria Siriani Del Nero e Padre Aldo Bolini na “terceirização”.

11 – Folclore: “justo com você”

Por ocasião das obras na Praça 9 de Julho, fui a convite dos comerciantes, participar de uma reunião com o prefeito e sua assessoria. Já havia comentários que ele iria se licenciar para cuidar da saúde.

Ao final da reunião, Jesus, por cortesia, me convidou para tomar um café e bater um papo, no seu gabinete. Entrei eu, ele e o Marcos Tasca. Me sentei, quando tocou o telefone na mesa do prefeito, ele disse: – com licença, deve ser importante. Apertou a tecla do aparelho (tipo PABX).

O telefone estava no “viva voz” e era uma daquelas mensagens comerciais gravadas, mas com conteúdo que era mais ou menos o seguinte:

você já tem seu plano funerário? Temos ótimas ofertas.

Ele imediatamente desligou o telefone, o Tasca ficou com uma cara perplexa e constrangido, e eu para descontrair, disse:

é prefeito… a coisa tá ruim hem! Pensei que era só boato.

Daí, ele deu uma gargalhada e respondeu:

você quase nunca vem aqui… foi acontecer de eu abrir essa mensagem justo na frente de um gozador.