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Férias escolares: trabalho dobrado para pais

publicado em 20 de julho de 2019 - Por Antônio Carlos de Almeida

Férias são ansiosamente esperadas por professores e alunos. De fato, constituem um tempo precioso de descanso, de recomposição de energia e de fazer coisas diferentes e agradáveis. No entanto, não é fácil manter atividades dinâmicas durante 30 dias seguidos. Estas requerem ânimo, recursos e companheiros. Corre-se dessa forma o risco da ociosidade.    Nada fazer, a não ser dormir, comer, ver TV e muito smartfone  e suas mídias.

Férias oferecem a possibilidade de fazer coisas diferentes, em consonância com hábitos pessoais. Alguns gostam de atividades físicas ao ar livre, outros gostam de passear ou visitar amigos e parentes, outros preferem ler ou fazer artesanato. Alguns não consideram sua folga como férias enquanto não viajam para algum ponto turístico.

Quando fazemos turismo adotamos um comportamento diferente do nosso cotidiano: andamos a pé, achamos graça de tudo, percorremos feirinhas de artesanato, visitamos o mercado municipal, subimos ladeira para ter uma visão mais ampla, sentamos para tomar um cafezinho. Fazemos ainda outras coisas bem prosaicas. Nossa zona urbana e rural tem muitas coisas a serem vistas com esse olhar típico de turista. Observo com frequência pessoas de fora com comportamento de turista entusiasmado, por exemplo, no lago do Taboão. É possível desfrutar de bons momentos sem sair do próprio município.

Quando voltamos de férias, ninguém pergunta: “está descansado?” “Divertiu-se?” Todos perguntam para onde viajou. Há certa necessidade de dizer que fez algo muito diferente, espetacular. Nem todos os que viajam retornam descansados. O mais comum é voltar preocupado com contas de cartão a serem pagas. De outro lado, grande parte dos que não viajam sente-se realizada com mais tempo para si, para parentes e amigos. Faz coisas que não consegue fazer fora das férias. Apresenta boa fisionomia no retorno ao trabalho ou ao estudo.

Infelizmente, nossos estudantes não adotam essa dinâmica durante as férias. Ficam muito tempo dentro de casa, dormem muito, ficam entediados e, com o passar dos dias, ficam grosseiros. Reclamam de tudo. Quando os pais inventam algo para quebrar essa monotonia, com grande frequência não aceitam participar.

Resulta daí que férias são mais interessantes para professores e alunos. Para pais, mães e avós trazem mais preocupação, mais ocupação. Embora aliviados da tarefa de preparar a ida para a escola, surgem imediatamente algumas preocupações. Como fazer para trabalhar e, ao mesmo tempo, cuidar dos filhos durante todo o dia? Como disponibilizar as refeições para as crianças que estão em casa? Também avós, tios e vizinhos acabam recebendo novas tarefas para que os pais possam trabalhar e as crianças possam desfrutar das férias em segurança.

Essa situação pode ficar um pouco mais complicada quando alunos em férias frequentam merenda escolar durante as aulas. Nem sempre as famílias estão preparadas para repor essa alimentação em casa. Também não é fácil manter diariamente um cardápio variado. A geladeira tende a se esvaziar ainda mais rapidamente do que nos meses letivos. Sem falar em guloseimas que são solicitadas: um lanche fora, uma pipoca, um bolo diferente, um sorvete gostoso, etc.

Férias, como tudo na vida, requerem planejamento. O importante é dar tempo para si mesmo. Fazer o que gosta. Intensificar contato com a natureza. Movimentar-se um pouco mais. Estar mais próximo das pessoas queridas. Assistir com calma alguns bons filmes ou fazer algumas leituras selecionadas em conformidade com a preferência pessoal.