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Fast Fashion: o barato custa caro e precisamos dialogar sobre isso

publicado em 30 de julho de 2019 - Por Ambiente em Pauta

Você está exuberante nessa nova roupa que você comprou! Já parou para pensar como que ela foi parar naquele manequim atrás das vitrines reluzentes dizendo que a promoção era maior do que podíamos pagar?

Pois bem, o Fast Fashion é o termo que engloba o ciclo que faz jus ao “See Now, Buy Now” (Veja Agora, Compre Agora) e aos padrões de consumo que nos fazem comprar sempre e usar menos do que se conseguiria de fato, deixando bem distante na linha do tempo a época na qual dava pra usar aquela boa camiseta durante milhares de anos mesmo meio rasgadinha, furadinha, com umas manchinhas; agora é preciso estar impecável sempre para agradar aos outros e para que a roda da economia não pare de girar.

Conforme a demanda de pessoas foi aumentando, o poder de compra também, as produções aumentaram e por um passe mágica as peças ficaram mais baratas. Mas se formos pensar nos recursos naturais que são extraídos, na mão de obra, o transporte, enfim, para diminuir o valor, é porque alguma parte desse processo está sendo sacrificada. E a principal delas é a mão de obra, tendo como frente o trabalho escravo em todas as idades, sem falar na desvalorização dos recursos naturais extraídos a preços irrisórios.

Dessa maneira as consequências se fazem visíveis e terríveis. De acordo com a Fundação Ellen MacArthur, o desperdício de roupas é equivalente a 1 caminhão de lixo (2.625kg) que é queimado ou enviado a aterros a cada segundo, suficiente para preencher 1,5 Empire State por dia. Assim como a utilização de 2.700 L de água para produzir uma camiseta de algodão, água equivalente para uma pessoa beber por 2,5 anos, assim dito pela National Geographic. Além da comprovação de trabalho escravo infantil e de mulheres em diversos países no mundo.

Diante dessas questões se fez necessária aspirar diferentes ideias, surgindo assim o novo termo Slow Fashion, e como o próprio nome diz, faz referência à desaceleração do consumo e da produção, visando uma transgressão para sociedades sustentáveis onde as formas de trabalho sejam justas e dignas, e também valorizando os recursos naturais usando diferentes fontes de matérias primas, como o pet, algodão reciclado das peças que já foram usadas por bastante tempo, entre outras alternativas que buscam utilizar dos recursos de forma a nos trazer consciência, podendo assim optar por melhores escolhas e mais saudáveis, estimulando os bazares, brechós, fortalecendo doações, troca de peças, assim como comprar marcas que têm uma produção de consumo sustentável e justa sócio ambientalmente.

Referências: https://www.ecycle.com.br/5891-fast-fashionhttps://wribrasil.org.br/pt/blog/2019/02/os-impactos-economicos-e-sociais-da-fast-fashion – http://jornalismojunior.com.br/fast-fashion-x-slow-fashion/

Laíza Teixeira Pedroso, Tecnóloga Ambiental, colaboradora do Coletivo Socioambiental e Associação Bragança Mais.