Colunistas

“Eta cafezinho bom”

publicado em 10 de agosto de 2019 - Por Ambiente em Pauta

Quem não lembra este comercial de café, entre outros popularizados pela rádio, imprensa, canções populares e mais tarde pela televisão? O café fazia e faz parte do imaginário popular, da identidade brasileira dentro e fora do país, da cultura enfim.

“O café é tão grave, tão exclusivista, tão definitivo que não admite acompanhamento sólido. Mas eu o driblo, saboreando, junto com ele, o cheiro das torradas-na-manteiga que alguém pediu na mesa próxima”, já escrevia o poeta Mário Quintana (1906-1994).

O café faz parte visceral também da história e trajetória de Bragança Paulista. Uma história cheia de altos e baixos que vai muito além do restrito “ciclo do café” que estudamos na escola. É esta história e um saber fazer que já tem cerca de 200 anos nestas terras, que produtores de café reunidos agora na recém-fundada Associação de Cafeicultores de Bragança Paulista querem recuperar.

Sob o lema “Da tradição à Inovação”, quinze pequenos e médios produtores do município trabalham com um objetivo bem claro: colocar no mercado cafés de excelência, com marcas próprias identificadas como exclusivas de Bragança Paulista: os cafés de Bragança. Um café diferente, que não busca grandes volumes. mas procura extrair a partir de tratos culturais e manejo criterioso, aromas e sabores exclusivos para públicos diferenciados. Um grande desafio que contempla igualmente uma perspectiva nova de desenvolvimento sócio-econômico do município, aliando cultura, história e modernidade.

Para isso a ACBP foi buscar junto ao Sebrae maior qualificação e conhecimentos de empreendedorismo, gestão e marketing, e estabeleceu parceria com o IFSP -Bragança para dar início ao processo de obtenção do título de Identificação Geografia do Café de Bragança Paulista. Estão previstos com o SENAR cursos técnicos de manejo e tratos culturais para a produção de cafés artesanais e naturais, que incluem cuidados com a terra e a água.

Além de produzir um café de alta qualidade, aliando a preservação ambiental ao desenvolvimento social e cultural, a Associação pretende desenvolver projetos paralelos que gerem valor agregado às atividades do setor, como o turismo rural, com a criação de roteiros de visitação das propriedades. Um projeto que poderia ampliar a atividade dos setores de hotéis e restaurantes por exemplo. E, no âmbito da cultura, a criação do Museu do Café.
(*in www.pensador.com/café)