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Estagiários com mais de 60 anos de idade

publicado em 8 de junho de 2019 - Por Antônio Carlos de Almeida

Já tinha concluído a coluna da semana passada, em que tratei de impactos da reforma da previdência social sobre trabalhadores, quando me deparei com uma reportagem interessante da Revista Exame sobre empresas que admitem estagiários com mais de 60 anos de idade. A reportagem destaca 5 diferenciais desse tipo de estagiário, motivo pelo qual algumas empresas admitem idosos que estejam estudando curso técnico ou superior.

Embora os números não sejam expressivos no contexto da população economicamente ativa, é um fenômeno bem interessante na medida em que anualmente cresce a população de idosos ainda com saúde e disposição para o trabalho. “Embora os números sejam tímidos, eles indicam mais disposição das empresas em abrir espaço para profissionais maduros.

O percentual de idosos na força de trabalho saltou de 5,9%, em 2012, para 7,2%, em 2018” (Exame VOCÊ S.A.). Considerando que o envelhecimento demográfico caminha a passos largos no Brasil, essa mudança de comportamento é um sinal importante. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 1 milhão de pessoas se tornam idosas a cada ano no país. Em 2017 havia 30,2 milhões de brasileiros com mais de 60 anos.

A citada Revista traz um dado surpreendente: dados apurados pelo Censo da Educação Superior mostram que, em 2017, havia 18.900 universitários entre 60 e 64 anos matriculados em instituições públicas e privadas do país. Com mais de 65, o número era de 7.800. A boa notícia é que existem empresas que admitem e chegam a preferir esses alunos idosos como estagiários. A Você S.A elenca cinco motivos pelos quais algumas empresas preferem estagiários com mais de 60 anos de idade.

Eles contribuem para a formação de equipes heterogêneas com pessoas de várias gerações, o que enriquece o ambiente de trabalho, estimula a inovação, podendo alavancar novos negócios.

Idosos têm um padrão de qualidade mais sólido, graças à experiência acumulada. Os idosos tendem a executar tarefas com mais precisão e senso de responsabilidade. Estagiários com mais de 60 anos tendem a apresentar menor rotatividade. Como já trabalharam em outras companhias, sabem o que querem e são mais comprometidos com o trabalho.

Somando estudos atualizados e experiência profissional e de vida, têm uma visão ampla de negócios, maior bagagem sociocultural, o que lhes permite entender como os outros setores funcionam.

Os idosos têm mais capacidade de planejamento e são mais prudentes ao tomar decisões, sabem distinguir as tarefas urgentes daquelas que são importantes, organizando-as ao longo do tempo.

Isso tudo não deixa de ser uma boa notícia. Com a reforma da previdência em curso, muita gente terá de trabalhar até mais tarde. No pano de fundo do artigo há um aviso: a continuidade de pessoas com mais de 60 anos no trabalho depende de novos estudos e de atualização permanente.

No cenário da recente reforma trabalhista que permite entre outras coisas o trabalho intermitente e no bojo da reforma da previdência, está presente um desafio enorme: já não é o Estado nem as empresas que garantem o emprego para jovens, adultos e idosos, assim como reduz seu papel de garantidor da aposentadoria. Ambas dependem cada vez mais do indivíduo.

Ainda é tempo de vigilância e pressão quanto às decisões que estão sendo implementadas pelo Governo Federal e Congresso Nacional. Logo mais será tempo de se adaptar às novas regras e estar preparado para novos desafios. Dentre outros, investir na própria aposentadoria e se manter ativo durante mais anos.