Colunistas

Esperança de um mundo novo

publicado em 12 de outubro de 2019 - Por Antônio Carlos de Almeida

Várias reportagens ao longo da semana trouxeram a público detalhes da festa da Padroeira do Brasil, em Aparecida. Uma delas me chamou a atenção. O repórter entrou na fila que passa diante da imagem principal, ponto alto para romeiros que vão até o Santuário Nacional. Em geral, as pessoas atendem prontamente um repórter com microfone nas mãos. Tentou falar com um primeiro devoto, este nem percebeu a presença do jornalista. Este tentou uma segunda abordagem sem conseguir qualquer resposta.

Conseguiu por fim a resposta de uma senhora. Falou com forte emoção. Foi muito rápida. Assim que o repórter insistiu, ela agradeceu e nada mais respondeu. O que se observou foi acentuada concentração daqueles que oravam.

A fé estava estampada nas fisionomias e nas atitudes. Profunda intimidade com Deus. Era momento de agradecer, de se colocar diante de Deus, de apresentar todos os seus familiares mais queridos, assim como suas necessidades. Pareciam não estar ali, estavam profundamente recolhidos, numa dimensão apenas experimentada por aqueles que cultivam a esperança nas promessas divinas.

E são impelidas para a caridade, transformadora das pessoas e da nossa realidade social, esta caracterizada por acentuado egoísmo e individualismo. Maria de Nazaré, ali chamada de Mãe Aparecida, durante todos os instantes de vida terrena, esteve totalmente atenta à vontade de Deus e dedicada a Jesus, a José, à prima Isabel, aos discípulos de seu Filho e a todos que viviam ao seu redor. É modelo cristão a ser seguido.

Doze de outubro também é o dia da Criança, alegria dos pais, esperança de renovação de nossa sociedade. Educar bem nunca foi tarefa fácil. Nas gerações anteriores, nossos pais e nossos avós, ao educarem seus descendentes, tinham menos concorrência. As influências davam-se pela proximidade e interação de pessoas, podiam ser mais facilmente controladas.

Hoje, as influências chegam pelo contato direto com outras pessoas, por meio da televisão e, de forma totalmente pulverizada, praticamente sem qualquer controle, por meio das multimídias sociais, a qualquer hora, inclusive à noite quando tudo parece estar sob controle dos pais. São muitas as informações, algumas inadequadas à atual idade das crianças, dependem de análise, de senso crítico, este impossível sem a orientação de algum adulto. Essas informações geram paulatinamente uma visão de mundo, de vida, de família, de Deus e de valores, que podem ser bem diferentes aos praticados por pai e mãe.

Consequentemente, muitas vezes, os filhos, desde a mais tenra idade, exigem e os pais obedecem. Muitos imaginam que isso faz bem às crianças. Não faz. Se fizesse, não teríamos hoje adolescentes e jovens angustiados, depressivos, com enorme vazio existencial. Crianças são o futuro da humanidade. Esta depende cada vez de jovens e adultos com capacidade analítica, abertos a bons relacionamentos, prontos para os mais diversos desafios profissionais, focados em objetivos a serem alcançados, moderados diante da tendência consumista, ecologicamente responsáveis e, sempre, atentos a uma espiritualidade biblicamente orientada.

A próxima terça-feira é dia do professor. Docentes experientes dizem que está cada vez mais difícil exercer a docência. Defrontam-se diariamente com indisciplina recorrente. Muitos alunos têm dificuldade de concentração. Outros se negam a qualquer esforço, por menor que seja. Parte dos alunos não é acompanhada pelos pais, outra parte é “protegida” pelos pais, inclusive quando desrespeitam seus mestres. Diminui ano a ano jovens que abraçam essa vocação e se preparam para desenvolvê-la de forma edificante

. A remuneração tanto no setor privado quando no público é desestimulante. Os recursos didáticos e tecnológicos necessários nem sempre estão disponíveis. Alunos não conseguem ficar sem celular, inclusive dentro da sala de aula, não obstante a lei e a exigência dos docentes. As aulas são sempre tensas para alunos e professores. Não obstante, uma educação básica bem feita faz toda diferença para o aluno, para a família e para a sociedade. Continua sendo, praticamente, o único alicerce para uma vida digna e feliz. Professores se dedicam intensamente à construção de um mundo melhor. Acreditam que isso é possível. Dão o melhor de si.

Que Maria de Nazaré, mãe e mestre, por nós chamada de Mãe Aparecida, como sempre, nestes dias e sempre, abençoe copiosamente as crianças e os professores.