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Equilíbrio precário em tempo de sucessivas mudanças

publicado em 26 de maio de 2018 - Por Antônio Carlos de Almeida

Nos últimos anos, com o advento da informatização, sob o controle de um capitalismo levado ao extremo, muitas mudanças estão ocorrendo em todos os setores da vida sobre o planeta.

Os limites físicos de um país, onde se vive a nacionalidade, não significam qualquer barreira à circulação do capital. A regra é lucro acima de tudo, o descarte de pessoas em praticamente todos os modos de produção e a redução drástica de serviços educacionais, da saúde, previdenciários e de segurança.

A velocidade das mudanças é muito alta, qualquer tropeço causa enormes danos, principalmente quando o que está em jogo é a vida humana. Nada dura muito tempo.

Tudo é passageiro, descartável, inclusive invenções recentes são logo substituídas por outras mais novas, sempre baseadas em tecnologia de ponta, quase sempre descartando grande número de trabalhadores. Todo ano profissões que já deram ocupação a muita gente deixa de existir.

As locadoras de filmes foram engolidas pela Netflix, a empresa Booking de reserva de passagens e de hospedagem complica muito a vida das agências de turismo. Google fez desaparecer as listas telefônicas de páginas amarelas tão utilizadas há poucos anos, assim como liquidou com as grandes enciclopédias impressas que ocupavam lugar especial em residências que investiam em conhecimentos e cultura.

O Whatsapp complica o equilíbrio das operadoras de telefonia. A OLX e as mídias sociais ameaçam a sobrevivência de grandes jornais. Nem mesmo o Estadão conseguiu manter seus grandes cadernos de classificados de emprego, negócios, veículos, imóveis e leilões.

Hoje um pequeno caderno de poucas páginas dá conta de tudo isso.
O smartphone, que cabe na palma de uma mão, liquidou com câmeras amadoras de renomadas marcas internacionais e com as lojas de revelação de fotografia. E.mails substituem com vantagem de rapidez e custo, agências inteiras de correios e milhares de empregos. Todo mundo se utiliza de GPS ou Waze para chegar mais facilmente a seus destinos.

O sistema bancário conduziu seus clientes ao autoatendimento em caixas eletrônicos disponíveis nas agências e, em seguida, em casa, na rua, no serviço ou em viagens, por meio de computadores ou celulares. O simpático pen drive, pequena caixinha de plástico com memória tão prodigiosa quanto a mente humana, capaz de transportar informações importantes e em segurança, já vai sendo substituído por armazenamento na nuvem. O Youtube, principalmente entre crianças e adolescentes, ocupa cada vez mais espaço diante dos canais abertos de TV.

Qualquer pessoa que domine um pouco mais as novas tecnologias, rapidamente aumentaria esta lista. É impressionante como elas estão presentes em todos os setores da vida produtiva e em todos os tipos de relações pessoais, empresariais e institucionais.

Chama muito a atenção o fato de surgirem como se fosse do nada, assumirem papel de grande novidade e, algumas delas, logo desaparecerem, dando espaço a invenções ainda mais surpreendentes. Importante registrar que praticamente todas têm nome em Inglês, raramente em Português, logo sendo incorporado à linguagem cotidiana, como se fosse uma palavra já enraizada em nosso vocabulário.

Causa espanto observar que pessoas de todas as idades e de todas as condições sociais, de forma quase imediata, passam a se utilizar dessas ferramentas e se expressam nessa nova linguagem. Alguns resistem, outros têm dificuldades em acompanhar essas novidades, logo se sentem defasados ou são acusados de retrógados por amigos, colegas e familiares.

O impacto de tudo isso na vida das pessoas é cruel. Aparece como novidade, facilidade e avanço, logo, descarta profissões, setores organizados de produção e de serviço e, inacreditavelmente, pessoas. Todos temos hoje necessidade de nos manter atualizados e cuidar de nossas profissões. Não sabemos quanto tempo a mesma vai durar em seu atual formato. Inclusive o ditado “vamos em frente que atrás vem gente” anda superado.

A atual dinâmica sugere “vamos em frente que já tem muita gente na frente”. (Todo este artigo é adaptação de uma mensagem anônima de Whatsapp).