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Em ano inédito, como será o Natal, réveillon e férias?

publicado em 20 de novembro de 2020 - Por Antônio Carlos de Almeida

Em ano tão inédito como este de 2020, tudo isso está pedindo de cada um de nós uma reflexão sobre aquilo que faremos e, também, como viveremos esses dias.

De um lado, temos a sensação de que a pandemia está cada vez mais sob controle, liberando-nos para as rotinas e costumes tão tradicionais e apreciados.

De outro lado, em várias partes do mundo, com preocupação, se observa o aparecimento de uma segunda onda de contágio, requerendo cuidados de autoproteção e de isolamento social. Notícias locais dão conta de que está aumentando o contágio nas classes A e B, em decorrência do crescente número de internações em hospitais particulares da capital paulista.

O recolher-se em família, sem grande movimentação de pessoas, não contradiz o espírito de Natal. Em Belém da Judeia, há 20 séculos, ocorria grande agitação na cidade por causa de um censo ordenado pelo Imperador Romano. José e Maria não encontraram hospedagem na cidade, precisaram recorrer a um cantinho de um estábulo.

Ali nasceu o Salvador. Anjos conduziram para lá um pequeno grupo de pastores que trabalhavam nas imediações. Presenciaram toda a luz que se manifestava naquele menino envolto em faixas de pano e depositado numa simples manjedoura, tabuleiro fundo em que se põe comida para animais em estábulos. Portanto, apenas com algumas poucas pessoas dentre os familiares mais próximos, é possível viver plenamente o verdadeiro sentido do Natal.

Aqueles que são prudentes, certamente, abraçarão o critério de reunir poucas pessoas, bem próximas, para celebrar com profundidade o Natal e a virada de ano. Embora ainda falte mais de mês, não temos sinais claros e seguros de uma liberação geral, típica de anos recentes. Também é conveniente ter presente que quase 200 mil famílias brasileiras terão o primeiro final de ano sem a presença de entes queridos que não resistiram à terrível invasão do novo coronavírus. Ainda estão assimilando esse golpe inesperado, prematuro e impactante.

Merecem o nosso respeito e, quando próximos, o apoio da nossa amizade. Dentre mais de 5 milhões de brasileiros infectados, não é desprezível a quantidade de pessoas que ainda lutam para amenizar sequelas importantes, com luta diária, apoio familiar e atendimento especializado de fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, médicos e outros profissionais.

Ainda contrariando nossos costumes, já em janeiro será necessário começar ou recomeçar muitas coisas em nosso dia a dia pessoal, estudantil, profissional e empresarial. Será imprudente esperar o carnaval para dar a largada. Ao fazer isso, corremos sério risco de estender a quarta-feira de cinzas durante meses.

O certo é que há 9 meses vivemos um tempo de paralisação, inércia e espera. É chegado o tempo de uma retomada cuidadosa e consistente em todos os setores da vida. Algumas coisas já não funcionarão como antes. Novas oportunidades surgiram nesses meses.

A informatização avançou muito no campo da educação, no setor financeiro, no comércio pela internet e em outras áreas. As ciências relacionadas a imunizações também estão avançando de forma acelerada. Todos passamos a entender um pouco mais de curvas estatísticas. Já utilizamos máscaras faciais e álcool em gel sem desconforto acentuado.

Entregadores de alimentos prontos para o consumo viram crescer a demanda por seus serviços. Outros profissionais precisaram reinventar sua maneira de atuar. Professores e estudantes terão que recuperar aprendizados que deveriam ter realizado em 2020 e intensificar o processo pedagógico, inclusive com o apoio de recursos tecnológicos, para adquirir um novo patamar, necessário para a progressão escolar, para a preparação profissional e para a adequada inserção social.

Apesar de todos os esforços, muita recuperação está ficando para o próximo ano. Já é tempo de planejamento e ação. Quatro de janeiro é uma boa data para a grande largada de realizações em 2021. Fazemos votos de que os profundos aprendizados deste ano nos conduzam rumo a um dia a dia pleno de realizações.