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“Eis que faço novas todas as coisas”

publicado em 21 de dezembro de 2019 - Por Antônio Carlos de Almeida

Na semana passada abordei aqui a problemática do lixo, que consome enorme quantidade de recursos naturais em sua produção e, depois, se descartado de forma aleatória, acarreta acúmulo de resíduos devolvidos grotescamente à própria natureza.

Caixas de papelão, sacolas de papel ou de plásticos, garrafas pet, latas, restos de comida pronta, frutas, legumes ou verduras que passaram do ponto, baterias, pilhas, eletrodomésticos, colchões, roupas usadas, calçados, peças automotivas, pneus, óleo… tudo isso e um pouco mais frequentam o lixo que diariamente sai de nossa casa.

A mudança de coisas que dependem de toda a coletividade e de várias instâncias de autoridades, parece depender pouco de ações individuais. No caso do lixo, tanto a solução quanto o agravamento do problema pode receber forte impacto de ações pequenas, individuais, possíveis de serem realizadas por todo e qualquer cidadão.

Existem estudos que apontam para a produção diária de 1 quilo de lixo por pessoa. Isso soma cerca de 160 mil quilos de lixo por dia num município como o nosso. Se cada um de nós reduzir 200 gramas por dia, o montante diário do município desce para 128 mil quilos, cerca de 5 caminhões bem carregados a menos. Alguns cuidados bem simples realizam essa redução para o bem do meio ambiente, para uma vida melhor para nós mesmos e, inclusive, para futuros descendentes.

Conforme registro do Jornal O Estado de São Paulo (30/05/2019), o desperdício de alimentos de uma família brasileira composta por três pessoas em um ano pode ultrapassar R$ 1.002,00. A pesquisa realizada pela Embrapa e Fundação Getúlio Vargas mostra que cada família desperdiça, em média, 128 quilos de alimentos por ano. Por pessoa, o desperdício de comida em casa atinge 41 quilos por ano, o que equivale a R$ 323,00.

A análise levou em conta apenas o universo familiar, sem considerar perdas em restaurantes, empresas, hotéis e escolas e, ainda, não leva em conta o custo do preparo, do gás, óleo, água e outros recursos. Os produtos mais perdidos são arroz, carne, feijão, frango e leite.

Todo esse desperdício tem forte impacto sob o ponto de vista ambiental: sua produção demanda uso de solo, água , agrotóxicos e combustíveis. Tem impacto econômico: o desperdício no lar é precedido pelo desperdício no transporte, no entreposto, no supermercado e feiras, aumentando o preço daquilo que é realmente consumido. Tem também impacto social: aquilo que desperdiçamos poderia alimentar crianças, jovens, adultos e idosos com dificuldades financeiras e que se alimentam precariamente.

As festas de final de ano, certamente, proporcionam um aumento acentuado no desperdício. Quem de nós já não se defrontou com uma quantidade imensa de alimentos que sobraram da ceia ou do almoço do Natal? Mesmo que a gente se esforce em reaproveitar nas refeições seguintes, parte significativa é finalmente depositada em nossa lixeira. Do ponto de vista ambiental, econômico, social e espiritual, vale a pena sermos comedidos em nossas confraternizações de final de ano.

Depende apenas de um pouco mais de planejamento, de resistir àquela insegurança de que pode faltar alguma coisa e, sobretudo, de atinar para o sentido original e verdadeiro do Natal.
A origem do Natal reside numa pobre manjedoura, sem berço para acolher um recém-nascido, sem panos suficientes para envolvê-lo, sem mesa para uma refeição em família. Sugere recolhimento e acolhida. O significado do acontecimento vem do alto, de Anjos enviados.

Do ponto de vista Cristão, estamos diante de um evento eminentemente espiritual. Cabe uma ceia familiar na medida em que haja encontro profundo das pessoas e destas com o Menino Deus. Desperdício, exagero na bebida e na comida contrariam o sentido original e definitivo do Natal. O Menino Deus está entre nós para fazer novas todas as coisas, inclusive nosso modo de consumir e de celebrar. Feliz Natal!