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Educação, sempre um grande desafio

publicado em 16 de novembro de 2018 - Por Antônio Carlos de Almeida

Há muito tempo a educação é um enorme desafio pessoal, familiar e social. Até o século XIX, as poucas famílias que podiam, encaminhavam algum de seus filhos para estudar na França ou Portugal. Depois, muito tardiamente, surgiram as primeiras universidades brasileiras. As poucas famílias que podiam encaminhavam então algum de seus filhos para Salvador, Rio de Janeiro ou São Paulo. Mais perto de nós, alguns profissionais ainda na ativa deixaram Bragança para estudar em outras cidades, normalmente capitais.

Bragança Paulista, com o Colégio das Madres e o Colégio São Luiz quando dirigido pelos Agostinianos, entre anos 1930 e 1967, e a partir da década de 1970 com a Universidade São Francisco, recebeu levas inteiras de estudantes de várias localidades brasileiras que aqui se formaram. A USF recebia ônibus de dezenas de municípios, inclusive de Campinas, Jundiaí e São Paulo. Não tinham a mesma possibilidade em seus municípios. Não poucos vieram para estudar e uma vez formados ficaram aqui para sempre, iniciando novas famílias, prestando serviços ou desenvolvendo empreendimentos.

Nasci num sítio. Diante de casa há ainda hoje duas salas bem feitas, uma utilizada como garage e outra como paiol. Foram construídas na década de 40. Naquela época minha mãe era uma menina. Meu avô, homem de visão e empreendedor, entendeu que sua filha e outras crianças dos arredores não podiam ficar sem educação. Preferiu então construir uma pequena escola. Ao invés das crianças irem para a cidade, ele trazia e hospedava a professora. Não é no sertão. Esse sítio dista apenas 13 km da cidade de São Paulo.

Eu mesmo mais tarde, na década de 60, sendo o mais velho, estudei durante 3 anos em escola rural. Depois foi necessário ir para a cidade para cursar o quarto ano e depois o Ginásio. Saía a pé de casa na véspera, caminhava até a casa de um tio, onde dormia; no dia seguinte, com meus primos, caminhava um pouco mais para embarcar no caminhão de uma empresa que levava a criançada para a escola. Voltava de caminhão, caminhava até minha casa para logo mais ir de novo para a casa do tio.

Hoje a educação está praticamente universalizada. Há vaga e obrigatoriedade de frequentar a escola. Se esta não é no próprio bairro, há a possibilidade de recorrer ao transporte escolar. Também estão disponíveis uniforme, material escolar e merenda. Mesmo assim não é fácil manter todas as crianças e todos os adolescentes na escola. A evasão requer sempre muita atenção dos educadores. Mais difícil ainda é melhorar a qualidade da educação e aperfeiçoar o aprendizado.

A partir de outubro, em famílias com alunos nas escolas públicas e nas escolas particulares, há grande movimentação: Enem, Saresp, Enade e diversos tipos de vestibulares.  Tudo isso vale a pena na medida em que oferecem subsídios importantes para uma educação emancipadora do indivíduo e promotora de uma sociedade mais cidadã e empreendedora. Também costuma estar presente nas famílias grande apreensão diante do risco de algum estudante não obter aprovação no final do ano. E também quanto ao local em que o aluno estudará no próximo ano. Muitos irão da rede municipal para a estadual. Embora tenhamos uma boa rede de cursos técnicos e superiores, centenas de jovens irão fazer faculdade em outros municípios, estados e, inclusive, países.

A educação é uma tarefa de professores bem preparados e dedicados, de governos responsáveis diante do presente e do futuro do município, do estado e do país; e, sobretudo, uma tarefa intransferível dos pais e dos próprios estudantes. Houve um tempo em que o primário era suficiente, hoje o ensino médio é o mínimo; em muitas funções, o ensino superior não é suficiente, requer-se a pós-graduação. Grande desafio para todos encontra-se na melhoria da qualidade educacional em todos os níveis.