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Domingo de manhã muito cedo

publicado em 20 de abril de 2019 - Por Antônio Carlos de Almeida

“No primeiro dia da semana, de manhã muito cedo, elas (Maria de Magdala, Joana e Maria de Tiago), vieram ao túmulo, trazendo os perfumes que tinham preparado. Elas acharam a pedra rolada de diante do túmulo.

Entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus. Ora, enquanto elas estavam perplexas com isso, eis que dois homens se lhes apresentam com roupas resplandecentes. Tomadas de medo, elas baixaram o rosto para o chão, quando eles lhes disseram: Por que procurais o vivente entre os mortos? Ele não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como ele vos falou quando ainda estava na Galileia; ele dizia: É preciso que o Filho do Homem seja entregue nas mãos dos homens pecadores, seja crucificado e, no terceiro dia, ressuscitado. Então elas se lembraram das suas palavras, voltaram do túmulo e relataram tudo isso aos Onze e a todos os outros” (Lc 24, 1-9).

Esse é o primeiro relato da Ressurreição de Jesus, o Cristo. Precioso, rico em detalhes, profundo em significado. De manhã muito cedo, quando a maioria ainda dorme ou está preocupada com outros afazeres, algumas poucas mulheres tomam a iniciativa e se adiantam para cuidar do corpo do crucificado com bálsamos.

Não dera tempo na sexta-feira porque a morte e o sepultamento ocorreram no final da tarde, quando iniciava o sábado a ser guardado, conforme preceito judaico. Encontram a Boa Nova da Ressurreição, aquelas mulheres que se adiantam, que não ficam esperando desnecessariamente, que não se conformam, que partem para a ação.

Outro detalhe de grande significado está no fato da notícia da Ressurreição ter sido apresentada em absoluta primeira-mão a três mulheres, quando os apóstolos eram todos homens, assim como a maioria dos discípulos. A dedicação e a sensibilidade femininas são premiadas. Isso é relevante hoje; naquela época, verdadeiramente revolucionário.

A pedra que fechava o túmulo estava rolada, entrando não acharam o corpo. Poderia ter sido roubado. Mas dois homens vestidos de roupas resplandecentes (Anjos), com uma fala muito clara e objetiva anunciam a Boa-Nova: Ele não está aqui, ressuscitou. E então, as mulheres que há pouco estavam perplexas, tomadas de medo, com a cabeça baixa, agora radiantes e empolgadas, correm para dar a notícia aos 11 apóstolos e a muitas outras pessoas. Poderiam permanecer ali, comemorar, entoar hinos, pedir mais informações aos Anjos. No entanto, a força da Boa Nova da Ressurreição impulsiona irresistivelmente para o anúncio. A perplexidade é transformada em eloquência.
O encontro com Jesus Cristo Ressuscitado é desde então transformador.

Quando ocorre um encontro verdadeiro com Aquele que vive, as pessoas logo saem em missão. A partir da notícia levada pelas mulheres que madrugaram naquele domingo da Páscoa, seguiram outras aparições do Ressuscitado: para Pedro e João, que logo foram ao túmulo, para dois viajantes a caminho da cidade de Emaús, para os 10 discípulos reunidos sem a presença de Tomé, depois para os 11 discípulos com a presença de Tomé, para os discípulos que pescavam no mar da Galileia e para os discípulos quarenta dias depois da Páscoa, quando determinou: “Ide,pois, de todas as nações fazei discípulos , batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a guardar tudo o que vos ensinei. Quanto, a mim, eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos tempos” Mt 28, 19-20.

Este Domingo de Páscoa é um tempo oportuno para um encontro transformador com o Cristo Ressuscitado. Pode ser logo cedo, pode ser em qualquer outro momento. Ele está conosco todos os dias, até a consumação dos tempos. Você saberá que esse encontro aconteceu na medida em que seja impelido para algo novo. Brotará certamente forte desejo de uma vida nova, mais plena de sentido, voltada para o bem-estar pessoal e daqueles que estão ao seu redor nas mais diferentes situações da vida.

Feliz Páscoa !”Eis que estou convosco todos os dias” é a promessa do Senhor da vida, para você e para todos os seus.