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Do rio que tudo arrasta se diz violento, mas não se dizem violentas as margens que o oprimem

publicado em 8 de fevereiro de 2020 - Por Dirce Guimarães

Será que não cabe transportar de Belo Horizonte para nossa Bragança essa afirmação: ”Canalizar rios em BH piorou enchentes, afirma especialista”. Lá os cursos de água encobertos transbordaram e arrastaram carros na última semana (Folha de S.P. 01/2/2020).

Parece bastante óbvia essa afirmação. Como demarcar com canalização o curso de um ribeirão, se é ele que recebe a água das chuvas, cujo volume é sempre uma incógnita? A canalização é condenada pelos ambientalistas.

Seus argumentos: Agride os cursos d’água, interfere na absorção do precioso líquido, elimina as margens extinguindo a mata ciliar e a fauna. A canalização cúbica é a pior, ela facilita o depósito de lixo nos seus cantos, que vai se acumulando ano a ano até chegar à obstrução.

Aqui na nossa Bragança foi colocada a canalização cúbica. Esse desastre no Lavapés parece ser indicação de que essa canalização não deu certo. Quem ainda não viu o enorme estrago no Lavapés, vá ver e faça avaliação e questione os por quês: É obra do qual Prefeito? Por que isso aconteceu? Quem errou? Ninguém será responsabilizado? Qual o nosso prejuízo?

DO RIO QUE TUDO ARRASTA SE DIZ VIOLENTO, MAS NÃO SE DIZEM VIOLENTAS AS MARGENS QUE O OPRIMEM. AUTOR DESSA VERDADE: BERTRAND BRECHET

Pois é, violentos são os seres humanos que invadem as margens destinadas à vazão das suas águas no momento das suas cheias. Dizem que os rios, os ribeirões e os córregos quando tudo arrastam, são violentos. Não são. São frutos da violência sofrida pelas mãos dos homens.

Aqui na nossa Bragança é bem isso que acontece. Além da ocupação das margens dos nossos ribeirões, das construções que encobrem os seus leitos, da impermeabilização asfáltica das nossas ruas e avenidas, dos novos loteamentos, das casas com quintais cimentados, tudo isso faz com que o volume das águas pluviais dobre e venha explodir nas partes baixas da cidade, onde o seu leito está canalizado, espremido. Hoje no Lavapés, com toda a quebra da cobertura do Ribeirão do mesmo nome, o seu leito está descoberto, e assim deve permanecer. Ou o Prefeito vai incorrer novamente no mesmo erro?

Vai cobri-lo novamente? Vai fazer com o nosso suado dinheiro uma obra que carregará prazo de validade? Esse é o momento ideal para se iniciar a construção do nosso primeiro elevado, em respeito ao meio ambiente, aos pedestres, aos motoristas e ao uso do dinheiro público.

E acima de tudo inaugurar a entrada na era da modernidade. Não é possível que não se adote nenhuma medida inovadora que venha dar fluidez ao nosso caótico trânsito. Será que o Secretário Municipal de Mobilidade Urbana, trazido de outra cidade, já conseguiu conhecer nossa Bragança e os seus problemas? Por enquanto, não vimos nada na sua área. Um bom conselho para ele: Converse com bragantinos de nascimento e com bragantinos moradores de longa data. Eles saberão dar informações preciosas.

AS PERGUNTAS QUE CONTINUAM SEM RESPOSTA

Quando que as nossas praças centrais serão reformadas? O que aconteceu com a empreiteira que ganhou a licitação e depois abandonou as obras? Quanto ela levou do nosso dinheiro? O piso das praças centrais, além de sujos, estão cheios de buracos e calombos. A Prefeitura não vai consertar?

Quando a limpeza do mato das calçadas, dos terrenos baldios, das praças, vão acontecer? Quando a sinalização de solo receberá nova pintura? Quando nossas árvores serão podadas, vistoriadas na sua vitalidade, antes que acidentes aconteçam?

Pois é, reclamações pipocam em todas as áreas, as soluções são lentas. Estamos no último ano dessa administração, até as rotinas patinam, deixam muito a desejar. A população está decepcionada. Não há mais esperança. Resta esperar pelas próximas eleições.

A C O R D A B R A G A N Ç A ! ! !